Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

Giló - O Papagaio Indiscreto

Manual para quando ficar de ir buscar as miúdas à "disco"... às tantas! ( outra vez a "disco"!!).

 

 

    maxresdefault.jpgE fiquei assim, quieto e calado, como bom cota que se preze, agitandoGiló Papagaio Indiscreto.png lenta e levemente os braços no volante durante todo o percurso. Cota avisado e consciente do seu papel – o de cota! - deve ficar mesmo caladinho. Primeiro, não refila, perante a mulher e os outros pais do bairro, porque é a sua vez de ir buscar as miúdas (a filha e as suas amigas púberes!) às tantas da noite. Segundo, não refila novamente, porque um COTA não se deve meter na vida intrincada, emocionalmente instável e sectária dos adolescentes, sobretudo quando os adolescentes são "as adolescentes" -  não haja dúvidas sobre estas premissas universais!

   Por esta mesma ordem de razões, não mexer o corpo, não olhar pelo retrovisor, nem mesmo para mudar de direção; limitar-se  a olhar para a frente, sem espreitar, engrenar as mudanças e gingar o volante em modo automático.

   Não se dê o caso de rebentamento - face a qualquer manobra mais imprevista na circulação automóvel -  de  qualquer borbulha púbere mais sensível no rosto de alguma das miúdas que vão enterradas no assento traseiro; dando-se o infortúnio cósmico – gravíssimo! – de alguma explodir e manchar todo o banco:"- o Ricardo não me pode ver assim neste estado, amanhã, na escola. Vou parecer uma atrasada mental!!!”

"- E o Tozé e o Gustavo? armados em parvalhões na pista, a fazerem-se àquela pindérica da Érica! Devia era ter-lhes espetado com o shot nas trombas! Da-se!

Não que fizesse intenção de ficar quieto e calado assim, perante estes termos, por muito tempo; felizmente, o caminho não obrigava a grande demora e estávamos quase a chegar. Devolver as "peças" aos respetivos e refletir uma vez mais sobre a educação de quem mais me compete...

   Como eu dizia... nada como a simplicidade da era da Zundapp...Giló Papagaio Indiscreto.png

Ir à "disco" é fatela... prefiro a Zundapp!

  Giló Papagaio Indiscreto.png Eu não tivera noites tão más, em adolescente, ou melhor, tivera, mas por problemas intestinais, ou dores de crescimento, não por arrufos noturnos de namorados à saída de discotecas, ou má disposição gerada por bebidas ingeridas em excesso. Na verdade, nem me recordo de ter tido a oportunidade alguma vez de ganhar boleia dos meus pais para ir a uma qualquer discoteca à noite com os amigos. Mesmo que ansiasse o favor da corrida, não tínhamos automóvel, porque éramos pobrezinhos e humildes demais para o ter. O meu pai - operário, e a minha mãe trabalhava no campo, às tardes.

   No máximo, o que havia era uma Zundapp, onde o meu pai - lembro agora - me deixava sentar com o motor desligado, quandozundapp.jpg chegava da fábrica, era eu muito criança, então. Seria fatela que o meu pai me levasse de Zundapp à discoteca! Acreditem!

   Na verdade, hoje acho que o "fatela" é ir à discoteca... adoraria muito mais passar uma parte do dia a andar de Zundapp. Na verdade, acho as discotecas coisa cada vez mais pirosa, para não falar de outros problemas mais sérios.

Entendo, por isso, que os meus pais me deram uma boa educação e me levaram para o lado mais sério: apesar de sermos muito pobrezinhos, acho que fiquei a ganhar com a motorizada.

Giló Papagaio Indiscreto.png

Negativa a matemática... ou... as tranças da Margarida.

Giló Papagaio Indiscreto.png Num destes dias, durante um passeio costumeiro com um colega, à falta de pior conversa, ele atirou-me com esta:

- Mas de onde te vem essa má relação com a matemática?                      Cartoon-Arabic-numerals-Mathematics-font-b-Prescho

Levei algum tempo a reagir e acabei por enveredar por terrenos profundos, cósmicos, explicações intrincadas como, a saber, e servindo de exemplo:  a dificuldade da disciplina o comportamento nos jovens a problemática das equações, polinómios, frações… a (des)motivação para o estudo… enfim… o diabo a sete na maldita da disciplina à mistura com  a inabilidade do estudante - EU!!!!

Na verdade, pensando melhor e já mais friamente, cheguei à conclusão, à posteriori, que enganei inocentemente? o meu parceiro de caminhada! Sejamos francos, as minhas negativas a Matemática tiveram origem, assim é que foi … nas TRANÇAS DA MARGARIDA, isso mesmo!!! as malvadas das tranças!  E, assim, introduzimos ao meu matutino, pueril, precoce e sempre quase eterno dilema - a problemática das miúdas!passeio pedestre com colegas

A Margarida era uma trigueira reboluda, de olhos açucarados, hiper-redondos, cara abundantemente circular, de maçãs suaves e rosadas no rosto, a pedirem beijos celestes. Das tranças, essas, nem falo, só digo que me tiravam a respiração, de tão perfeitas que me pareciam!

Não tive hipótese! E apaixonei-me pela primeira vez aos seis anos!!! Mas não reparei que estava apaixonado, nem que as tranças dela me estavam a mudar o destino. É que a minha professora da primária entendeu que a Margarida devia ficar bem à minha frente na carteira… e foram quatro anos a adorar aquelas tranças longas, com o cabelo perfeitamente enrolado e apertado por uma mãe que eu imaginava infinitamente  bondosa e carinhosa (por pouco não me apaixonava também pela mãe!). Voltemos:tranças que taparam a visão para o quadro negro, sobretudo quando lá  estavam as contas de somar, dividir, subtrair ou multiplicar.  Na gramática e nos textos, o problema já não foi tão grave, porque eu aproveitava para  garatujar  e treinar a prosa através de bilhetes com  pseudoversos que davam pseudoestrofes pseudosecretas - que a Margarida nunca chegou a ler. Escusado será dizer que  ela era muito "diplomática" comigo, não me escorraçava, como quase toda a gente me fazia - eu era um cromo "ar de atrasado", só faltavam os óculos fundo de garrafa e vivia sendo brindado pelos parceiros de escola como se tivesse alguma doença contagiosa.

A Margarida não! -  até me dizia, às vezes, “oláááá“!!!!!   Chegava a ser quase afável ou, mesmo, ternurenta!  Apesar de tudo, nunca me chegou a beijar… nem eu a ela.

Malditas tranças, afinal, deram-me cabo da matemática, sem nenhum proveito!…

 Giló Papagaio Indiscreto.png