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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

Giló - O Papagaio Indiscreto

Negativa a matemática... ou... as tranças da Margarida.

Giló Papagaio Indiscreto.png Num destes dias, durante um passeio costumeiro com um colega, à falta de pior conversa, ele atirou-me com esta:

- Mas de onde te vem essa má relação com a matemática?                      Cartoon-Arabic-numerals-Mathematics-font-b-Prescho

Levei algum tempo a reagir e acabei por enveredar por terrenos profundos, cósmicos, explicações intrincadas como, a saber, e servindo de exemplo:  a dificuldade da disciplina o comportamento nos jovens a problemática das equações, polinómios, frações… a (des)motivação para o estudo… enfim… o diabo a sete na maldita da disciplina à mistura com  a inabilidade do estudante - EU!!!!

Na verdade, pensando melhor e já mais friamente, cheguei à conclusão, à posteriori, que enganei inocentemente? o meu parceiro de caminhada! Sejamos francos, as minhas negativas a Matemática tiveram origem, assim é que foi … nas TRANÇAS DA MARGARIDA, isso mesmo!!! as malvadas das tranças!  E, assim, introduzimos ao meu matutino, pueril, precoce e sempre quase eterno dilema - a problemática das miúdas!passeio pedestre com colegas

A Margarida era uma trigueira reboluda, de olhos açucarados, hiper-redondos, cara abundantemente circular, de maçãs suaves e rosadas no rosto, a pedirem beijos celestes. Das tranças, essas, nem falo, só digo que me tiravam a respiração, de tão perfeitas que me pareciam!

Não tive hipótese! E apaixonei-me pela primeira vez aos seis anos!!! Mas não reparei que estava apaixonado, nem que as tranças dela me estavam a mudar o destino. É que a minha professora da primária entendeu que a Margarida devia ficar bem à minha frente na carteira… e foram quatro anos a adorar aquelas tranças longas, com o cabelo perfeitamente enrolado e apertado por uma mãe que eu imaginava infinitamente  bondosa e carinhosa (por pouco não me apaixonava também pela mãe!). Voltemos:tranças que taparam a visão para o quadro negro, sobretudo quando lá  estavam as contas de somar, dividir, subtrair ou multiplicar.  Na gramática e nos textos, o problema já não foi tão grave, porque eu aproveitava para  garatujar  e treinar a prosa através de bilhetes com  pseudoversos que davam pseudoestrofes pseudosecretas - que a Margarida nunca chegou a ler. Escusado será dizer que  ela era muito "diplomática" comigo, não me escorraçava, como quase toda a gente me fazia - eu era um cromo "ar de atrasado", só faltavam os óculos fundo de garrafa e vivia sendo brindado pelos parceiros de escola como se tivesse alguma doença contagiosa.

A Margarida não! -  até me dizia, às vezes, “oláááá“!!!!!   Chegava a ser quase afável ou, mesmo, ternurenta!  Apesar de tudo, nunca me chegou a beijar… nem eu a ela.

Malditas tranças, afinal, deram-me cabo da matemática, sem nenhum proveito!…

 Giló Papagaio Indiscreto.png