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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

Giló - O Papagaio Indiscreto

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A Propósito de Acidentes na Aeronáutica...

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   Nestas alturas não há estatísticas nem matemáticas que resistam. A frieza crua, porém apaziguante dos números, nunca desaparece das análises técnicas, exceto quando as pessoas "desaparecem", elas próprias! Aí, tudo o que é número se cala e é o silêncio...

   Rapidamente, o mundo sente-se chocado, perdem-se as palavras e os argumentos; do outro lado da barreira, adensa-se a (triste) emoção e a consternação que, por estes dias, adquirem um significado ainda mais carregado, numa cor negríssima, inexorável, fora do habitual -  a própria aridez aritmética, tão petulante, tantas vezes!,  não consegue igualar nada disto.

   Como pode ser? - perguntamos. Simplesmente É! Como nos outros acidentes, nas outras mortes, nos outros gritos, nas fomes, nas bombas, na Síria, em Àfrica, na América do Sul...nos que nos deixam todos os dias, longe de nós ou ao nosso lado. Simplesmente, É, assim!

   Há uns dias, confidenciava, aqui, sobre alguns episódios experimentados por mim, em viagens aéreas. E sobre a insegurança que sentia ao entrar num avião. Os acidentes como o da Colômbia - ou o da Ilha de São Jorge, último grande acidente, em solo português com uma companhia aérea portuguesa -  dão um pouco de força (lamentavelmente) a esse receio. Não se trata de tentar fazer ver ou impor a ideia de que o transporte aéreo é inseguro, até porque, pessoalmente, e apesar dos medos e obsessões individuais, não acho que o avião seja, efetivamente, uma forma insegura de viajar. A minha alma é insegura, o avião, não! Acredito com alguma firmeza, apesar de tudo!

   O que é que falha,então, a essa matemática que sabe tudo? Falta-lhe saber se o co-piloto sofre de perturbações emocionais, se anda triste por causa da namorada, se o indivíduo dos combustíveis não estava distraído a olhar para os pássaros enquanto abastecia, se o diretor vivia a contar os tostões e decidiu poupar na "estação de serviço", se...se...se... tudo menos os Aviões!, nada, a não ser o Homem!

   Continuaremos a entrar nos aviões, para as nossas viagens, - e em outros transportes - a dar seguimento À NOSSA VIDA, ao dia a dia, fazendo milhares de milhas, procurando o nosso descanso, os nossos amigos, a nossa família, as nossas aventuras, os nossos negócios, o alargamento dos nossos horizontes, a nossa felicidade, antes que chegue o "intervalo". Quem ia naquela viagem, fazia o mesmo que nós, procurava o mesmo que nós. Tinha uma vida parecida com a nossa. Não sabíamos quem eram, mas sabíamos à mesma, em parte, porque tinham uma fatia humana igualzinha à nossa.

   Eu conhecia uma das pessoas que faleceram no desastre de São Jorge. E ainda me lembro claramente de uma brevíssima conversa que tive com um comissário de bordo, indivíduo bem disposto e algo "Papagaio", nesse dia; eu tinha feito uma viagem poucos dias antes daquele fatídico acidente, no mesmo avião! Daí o meu medo. É só isso!

   É óbvio que não podemos estar felizes! Não podemos estar! Caiam onde caírem! Não podemos estar, sejam aviões ou bombas!

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