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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

Giló - O Papagaio Indiscreto

Avô Natal

  

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  O meu avô já não está comigo, mas é como se estivesse. Tinha um velho carocha cinzento, - era um dos poucos carros existentes na freguesia, joia de lata - onde me deixava viajar parado tardes inteiras. Eu era o único do mundo a ter autorização de entrar sozinho, para conduzir o carocha dele, sem ninguém lá dentro - só eu!!!!; nem carta de condução tinha, porque contava três ou quatro anos de idade, e nenhuma direção de viação me passaria a carta, àquele tempo, julgo!

    Atingia altas velocidades sem gastar gasolina - era o carro mais económico do mundo - e era muito seguro! Nunca tive qualquer acidente, apesar de lá ter feito milhares de quilómetros e haver um portão bem à frente. Viajei por terras e estradas que vocês nem imaginam! Nem eu sei como fui lá parar! Só sei que fui! E quando chegava, estacionava com o guarda lamas da frente bem encostadinho ao tal portão gigante de madeira, que sempre estivera lá, mas nunca fizera o seu serviço, que era barrar a minha saida. Velho portão!

  - "Quem sujou os tapetes do carro?" - ralhava ele, furibundo! -"Quem deixou a porta do carro aberta? Quando constatava que tinha sido eu o autor do crime, de repente o carro ficava com os tapetes a brilhar e a porta era como se tivesse fechado por magia! O juiz saiu do tribunal às cinco, não há caso para julgar!

  Às vezes, levava-me mesmo!! com ele no carro. No banco da frente! Sim, porque no carro do meu avô não era preciso haver cintos de segurança, e as crianças sem tamanho para ver a estrada - só via o porta -luvas - podiam ir à frente e sem cinto. Naquele tempo não havia polícias ( nem ladrões!), nem trânsito! Se chocássemos, era só contra qualquer carroça de erva, estacionada ao pé de qualquer tasca. As vacas também não usavam cinto! Porque haveria eu de usar? Durante a viagem, que costumava ser só ali à terra do lado, para o meu avô falar com algum conhecido, eu "desfazia-o" com perguntas:  - o que é aquilo? - que máquina amarela é aquela acolá? - olha aquela casa ali! E o meu avô NUNCA me deixava sem resposta ou reparo!!!! Muitas vezes, era ele mesmo que alimentava a conversa, porque eu lhe alimentava a alma! Precisei de tantos anos para entender esta verdade!

   Por isso, quando me perguntam qual foi o meu primeiro presente de natal, eu não sei responder, porque só me recordo do meu avô, do carocha cinzento e da bicicleta azul que me ofereceu quando eu já era espigadote demais para andar de carro parado!

Obrigado, Avô!Giló Papagaio Indiscreto.png

Papagaio

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