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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

Giló - O Papagaio Indiscreto

Breve História da Minha Educação Escolar: de como o Bullying é tão Docinho!

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  Quando era pequeno e andava na escola levava nas fuças, frequentemente! Porque era pequeno, magro, trinca-espinhas, escanzelado... fisicamente inferior... Por isso, os "fortes" aproveitavam para descarregar as suas frustrações em cima de mim, fazendo da minha figura um saco de batatas, no qual e com o qual se "divertiam", para fazer jogos que consideravam interessantes (no ponto de vista deles, os bois!). Facilmente se viam penas pelo ar. Eu sempre percebi o porquê da coisa, e não me surpreendia - era sempre mais do que um mamute a tirar partido de um palito, indefeso!

   Um dia, só porque sim, porque eu existia e estava ali, paguei pelo meu pecado: pegaram em mim e viraram-me de cabeça para baixo, que nem um saco, como na matança do porco, pendurado pelas "patas"; sacudiram-me e as moedas que a minha mãe me tinha dado para a sandes resvalaram todas do bolso e foi uma sementeira no chão! Nem me lembro se me roubaram o dinheiro... é possível que sim... estava demasiado "zonzo" para perceber o que tinha acontecido. Vi o mundo numa outra perspetiva! Ainda hoje tenho essa imagem comigo... o que é positivo! Eu nunca chorava...

  Era sempre o último a ser escolhido para o futebol - isto é... quando era escolhido! - e levava muita pancada nas partidas do recreio. Num outro dia qualquer, dois jogadores "internacionais" da escola, como eram de equipas diferentes e estavam zangados um com o outro, começaram a discutir e decidiram que quem levava a porrada era eu... como eram dois grandessíssimos covardes e tinham medo de bater um no outro, usaram-me a mim para "se pontapearem"! Juro!

 Depois, chamavam-me nomes a toda a hora, sempre os mesmos bois, claro! Ninguém do meu tamanho me chamava nomes! Só gente para aí com o dobro do meu corpo, pelo menos...era "padre", por causa do corte de cabelo, "ranholas", por causa de nem sei bem o quê, (não trazia ranho no nariz...) "loló", também não sei bem porquê, (não andava nu nem a mostrar as partes...) enfim, entre tantos outros epítetos e episódios maravilhosos que já nem me recordo...

   Foi uma infância escolar bonita, muito esclarecedora, recheada de bons momentos, (não vou deixar de dizer que também algumas meninas muito simpáticas também gostavam de mim à brava... e aproveitavam para me agredir das mais variadas maneiras que podiam... eram umas queridas!) ... mas, por incrível que pareça, eu não vergava minimamente a estas touradas e a escola nunca deixou de ser o meu espaço de alegria e fantasia. Era ali o meu lugar... via e vivia feliz e inocentemente as coisas desta forma... nunca tive medo de toiros nem toiras (pelo menos medo que chegasse, porque medo, tinha, efetivamente!)... todos os dias me levantava com a esperança e a doçura que uma criança merecia ter e sentir. Era feliz lá, fosse em que escola fosse, à mesma -também tinha amigos e estava-me a cagar borrifar para os(as) camelos(as) que povoavam o deserto!

  Eu não podia, realmente, almejar outra forma com que me brindassem - não usava roupas de marca, não tinha aquelas sapatilhas que se viam na televisão, a mochila era aproveitada de uns anos para os outros e o casaco igualmente, com umas mangas alargadas pela minha mãe, para durar mais um pouco, à medida que eu crescia! Mesmo mais tarde, enquanto que outros colegas chegavam ao parque da universidade de VW, eu levava molas nas calças, por causa do óleo da corrente da bicicleta... e passei cinco anos a ser olhado de lado por várias almas ( não todas, felizmente! Ainda há muita justiça na Terra!) Não existe um único grão de areia a mais naquilo que conto... tudo genuíno, e visto à distância fria de muitos anos!

   Analisando bem, eu tinha/tive, por estas e muitas outras que não vêm aqui, todas as condições para me tornar num militante ressabiado do Estado Islâmico.... mas fiquei só papagaio... nada mau!

  Tive de avançar à mesma! Não deixei de o fazer... e aqui estou com todos os imensos defeitos que tenho, obviamente! Pode parecer esquisito, mas admito que aprendi inúmeras lições de vida, muitas delas vindas dos maus momentos.

  A que me quero referir? Onde é que se vai buscar a vontade? Como é possível, por vezes, aturar em pé as macaquices niquentas da própria vida? É possível... às vezes...

   Outras vezes apontam-me... mas porquê... és do contra!? - és o tal Grinch?

   - Não! Não sou! De todo! Só quem me não conhece ou conhece mal diria isso! Cada um gasta a sua vida como quer! Não quero gastar a minha energia com situações que a minha consciência diz serem da terceira divisão...

   Uma coisa que me desagrada é ver pequenos a sofrerem o meu papel, inúmeras vezes! Quando me apercebo, não gosto de ficar quieto... nem vejo nada com bons olhos que quem de responsabilidade fique empávido... era de virá-los de cabeça para baixo, a fazer sementeira... pela indiferença e pela covardia!

Papagaiofoto do autor

P.S. A rábula contada corresponde memorialmente à verdade; não se trata de mais uma brincadeira à "Papagaio".

   

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