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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

Giló - O Papagaio Indiscreto

Dicionário (pornográfico) de português

 Velha da Praia.jpg  Por outro lado, ainda me lembro do estaladão nas "fuças" que levei no dia em que, chegado a casa, depois do período diário de escola primária, me lembrara de fazer uma espécie de imitação verbal, musical e macacal, repetindo uma palavra que ouvira proferir a um marialva que passara à beira da rede do pátio onde era o recreio da gaiatada. Ouvira do tipo:

- Paneleeeeiro!!!

Cheguei a casa e foi inevitável: «paneleiro para aqui, paneleiro para ali... a música do paneleiro...» disfrutando dos prazeres sonoros que o fresco vocábulo proporcionava ao meu ouvido pueril.

    E não caí redondo, mas a minha alma foi como se tivesse caído brutalmente ao chão, incapaz de se segurar, no disparo fulminante da surpresa: tal foi a "bolacha" que saiu da mão duríssima - àquela hora - da minha mãe. Ia, então, na altura do "aviso físico", lá para o segundo ou terceiro «paneleiro» da sessão  lúdico-lírica!      

   Digamos que o "paneleiro" me saiu um tanto ou quanto caro, talvez ,até, mais caro do que deveria ter sido ou que era costume da parte de minha mãe (estava uma velhota lá em casa, a tratar de qualquer assunto, que eu julguei ser um assunto igual aos assuntos que as velhotas costumam ir tratar com as mães de gaiatos chegados da escola, quando têm assuntos para resolver).

   Francamente, a minha mãe era uma pessoa ternamente doce, raramente se sentindo necessitada de me avisar "fisicamente". Entendíamo-nos quase sempre por palavras - e ficava por aí. Não obstante, talvez pela tal presença da "veterana" - com assuntos para tratar - entre  nós, e da ortodoxia ancestral e poeirenta a que a sua proximidade obrigava, talvez minha mãe se tivesse sentido compelida a apertar no castigo. Penso que, à distância destes anos todos que já passaram, afinal poderei ter levado não uma, mas duas "bolachas": uma da minha mãe, outra da velha, tudo chegado pela mesma mão. Se a peça de museu lá não estivesse a tratar de "assuntos" - julgo agora que lá estaria por causa da conversa fiada e dar que fazer à língua -  sofreria apenas um ralhete, ao que se seguiria o tradicional pensamento privado da minha mãe:

- Mas onde é que o raio do ganapo anda a ouvir tais coisas?? - congeminaria, quase de certeza.

 – Não te torno a ouvir dizer isso! – gritou, numa atitude que me soou, na altura, ter mais  de decisivo e certo do que  de selvagem.

   Ainda hoje me custa a pensar no maldito vocábulo sem me vir à cabeça o xaile e o avental negros da velha!

   Portanto imagino, e para concluir, que se o marialva se tivesse  atrevido a apostrofar alguém de "vai-te foder" ou catalogar algo como sendo  "do caralho", eu bem poderia contar com a mais definitiva e decisiva das reações maternais - todas vestidas de xaile e aventais negros, um a cada canto da minha memória.

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