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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

Giló - O Papagaio Indiscreto

Nacionalidade e Produtos Hortícolas

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    Quando se pensa no ministério do tempo e na questão da identidade nacional, vêm logo ao discurso os lugares comuns e algo enfadonhos de Camões, da Tourada, do Fado ou do Bacalhau. Desenganem-se!: Camões já não era pacífico nem consensual na sua época (muito menos a Tourada o é hoje - nunca foi!), nem o Fado arrasta massas, por mais admiradores que tenha em todo o lado! Por sua vez, as crianças costumam detestar bacalhau - só o comem nas versões vanguardistas, quando mete batata frita ou outros ingredientes modernos pelo meio, sempre com potenciais repercussões ao nível da saúde infantil.

   Na verdade, damos por nós a descobrir, surpreendentemente, que o elemento verdadeiramente agregador da nossa cultura e da nossa circunstância comum é a ...FEIRA!! À portuguesa, bem entendido!

   De facto, não se encontrará o nosso tradicionalismo tão bem representado como neste espaço. E porquê? primeiro, e desde já, porque é o único ponto do mundo - e em Portugal! - onde é possível encontrar Camões, o Fado, o Bacalhau e artigos de Tourada tudo no mesmo sítio, à mesma hora e a bom preço! A feira, às vezes, ela própria, é uma tourada!E é de fazer roer de inveja qualquer centro comercial ou hipermercado, que, por mais que se esforce, não consegue destronar o patusco evento nesta dimensão particular.

   Segundo: dizem que Camões chega hoje à China e está traduzido em várias línguas, aproximando povos com as suas letras. Mas o máximo que Camões tem aproximado são os académicos, os devoradores de poesia e os alunos do secundário, por obrigação! Camões nunca APROXIMOU nem resolveu a questão supostamente insanável da confraternização multicultural, profissional, etária ou de classes. Já a feira o faz, embora de forma algo repreensível! Pelo menos, que nos venha à memória, não se descobre repetição de convivência quase cordial?! entre tendeiros, PSP, tias socialités, ricos, pobres e remediados, velhos, novos, magros e gordos em nenhum outro contexto ou local, que não seja a feira!

    Terceiro: E tudo sem necessidade de faturas, taxas, registos ou direitos de autor. Já o Fado, por exemplo, está há muitos anos registado na SPA! Se um rapper de Sacavém  ou um sem abrigo de Campanhã usar ou subtrair  umas letras ou uns acordes da Marisa, temos sarilho, de certeza! A FEIRA, em si, poupa-nos a estes inconvenientes e arrufos desnecessários, areias na engrenagem que não contribuem para a nobreza dos cidadãos nem para o prestígio das instituições!

   Quarto: quanto ao Bacalhau, desculpem, mas é da Noruega e da Terra Nova - também do Pacífico, mas esse, a malta de Ílhavo diz, sobranceira, que não presta! E eu acredito nela, que é gente sabida nessas coisas da vida marítima! - não nos pertence diretamente; é mais uma espécie de empréstimo que ficou gravado para a história. Já na feira se passa o mesmo - tudo começa, normalmente, num empréstimo, que passa a compra definitiva a preço da uva cachucha, em terreno livre! A pesca do bacalhau não inventou nada!

   Quinto: a Feira é espaço de liberdade e descontração, que não se repete em qualquer outro elemento da portugalidade. Por exemplo: tudo está à disposição de forma saudável e aberta.  Se um dado cliente quiser ficar a olhar, mexer ou verificar o artigo que está disponível na montra, seja um DVD maroto, uma camisinha, a fruta ou o grelo de alguém, não há o perigo de ser criticado! Até se pode levar para casa por uma quantia convidativa. Nesta quadra do natal, os legumes e a hortaliça até costumam estar mais em conta!

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Papagaio

   

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