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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

Giló - O Papagaio Indiscreto

Os Homens Importantes e os Pentelhos, (que andam sempre agarrados!)

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    O filho do homem do talho, quando era ganapo, tinha a mania que era mais do que os outros. De certa forma até era! O pai era o dono do - único! - talho lá da terra, e a terra era pequena. O talho dava massa. Desta forma, o dono do talho era uma pessoa muito importante! Quem queria "chicha" tinha de se ir servir ao pai do filho do homem do talho, ato solene, - quase como ir à missa -  por isso, o filho também era importante, ou podia ter a mania que era!

   De certa maneira, eu era igualmente importante; pelo menos tinha a mania que também era, lá para comigo. Sentia-me assim porque era ganapo como o filho do homem do talho e o filho do homem do talho era o meu maior amigo!, e eu também era o maior amigo do filho do homem do talho (lá da terra). Por exemplo, por ser amigo do filho do homem do talho, eu podia comer chicha, que os filhos dos outros não podiam, porque não eram os maiores amigos do filho do homem do talho. O filho dele ia à panela do estabelecimento e trazia rojões das saias dentro de papos secos, para ele, quando tinha fome, e sobravam saínhas também para mim, porque eu, igualmente, tinha fome quando o filho do homem do talho também tinha fome.

   Quando o filho do homem do talho tinha sede, ia às gasosas, debaixo do vão da escada, por detrás do talho, onde estavam escondidas as garrafas de litro e vidro verde, a borbulhar ( a gasosa, não o vidro!). Eu também tinha sede, e bebia gasosas das garrafas verdes, com o filho do homem do talho. Bebíamos os dois, porque tínhamos sede os dois, ao mesmo tempo!!!! Direto da garrafa, às escondidas, sem a mulher do homem do talho - que era a mãe do filho do homem do talho - saber! A minha mãe e o meu pai sabiam que eu bebia gasosas e comia saínhas com o filho do homem do talho. Porque eu lhes contava as minhas aventuras pé descalço com o filho do homem do talho. Só a mãe do filho do homem do talho não sabia que lhe íamos às gasosas - e ela era a dona das ditas garrafas verdes! Ironia!  Fartote! No verão, deitávamos o precioso líquido em formas plásticas de frigorífico e saíamos para a rua a chupar "gelados de gasosa". Uma maravilha!

 O filho do homem do talho também assaltava a máquina registadora do talho do homem do talho, que era o pai. Limpava as moedas prateadas, quase todas, de vinte e cinco escudos, que havia na caixa!  Se naquele dia se tivesse vendido muito pujadouro, rabadilha ou chouriço vermelho, o filho do homem do talho escondia as toneladas de moedas nos bolsos dos calções e passava metade do "produto" para os meus (calções), para não dar bandeira! Os bolsos muito cheios podiam levantar suspeitas indesejadas e acabava tudo em borregada! Estoirávamos as moedas nas máquinas de jogos, no café do "Tintóino". Quando as máquinas já saturavam, perdendo o encanto, o resto das moedas ia para rebuçados, colas, bolos, chocolates ou travesseiros, que eram bolos e chocolates ao mesmo tempo!! Huummm.

   Depois da partida de futebol, - sim, porque a bola era do filho do homem do talho, e ele é que decidia quem é que jogava, porque a bola era dele! e mais ninguém tinha bola, ali, porque a terra era pequena! e eu jogava sempre no "onze" inicial, porque era amigo do dono da bola, que era o filho do homem do talho -  depois da partida de futebol, dizia, o filho dele ficava com fome, ao mesmo tempo que eu, que ficava com fome também! E comíamos os travesseiros, que eram bolos e chocolate ao mesmo tempo!  A ganapada toda comia travesseiros até à exaustão! Quando já sobravam mais travesseiros que estômago: PIMBA! PIMBA! travesseiros pelo ar! para o meio das terras de milho, que lá ninguém os via! Se chegássemos com os travesseiros a casa...Ui!

  Não sei como é que o homem do talho fazia a sua contabilidade dar certo! Talvez se deitasse, à noite, com macacos na cabeça, sobre o travesseiro, a matutar no caso das moedas de vinte e cinco!

   Lição de moral: se houver quem julgue que ser gaiato é assaltar os quintais dos vizinhos, roubar laranjas, atirar pedras aos cães, pisar os rabos aos gatos, levantar as saias às miúdas, dizer palavrões e fumar cigarros às escondidas, das duas uma: ou eu e o filho do homem do talho contribuimos para a revolução do paradigma de "infância" ou eu e o filho do homem do talho nunca fomos crianças. Isto porque, de tudo o que foi enunciado desde o início, nunca fumámos cigarros às escondidas e só levantámos as saias à Josefina prá i umas duas vezes!

   Tenho saudades do filho do homem do talho...e de mim!Giló Papagaio Indiscreto.png

Papagaio

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