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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

Terra das Baleias com Baleias em Terra

 

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    O sol levantava-se para os lados das Lajes do Pico. Os homens dirigiam-se aos campos agrícolas, para os trabalhos do dia, para tratar do milho, apanhar batatas ou podar as cepas.  Subitamente, atroava o alarme de baleia. Nas vigias estrategicamente colocadas ao longo da costa disparavam-se os foguetes de aviso. Os homens largavafabrica baleeira sibil.jpgm tudo o que estivessem a fazer. As mulheres preparavam uma merenda apressada e corriam o mais que podiam para levar a comida aos maridos, antes de eles partirem para o mar.

 

 

     Arriavam-se os botes baleeiros e partia-se assim que possível,  logo que se encontrasse a tripulação completa. No cais, as mulheres ficariam sem saber quem voltaria, se na luta desigual que se avizinhava alguém morreria, como tantas vezes acabava mesmo por acontecer.

   Depois de algumas milhas de navegação à vela com o vento a favor, avistar-se-ia a baleia ali próxima. Parecia uma grande baleia adulta, que encheria barris de óleo - uma fortuna! Significava a comida ganha para muitas semanas.

     Depois de muitas milhas e horas de afastamento da costa, com a baleia a tentar sacudir e fugir ao arpão já enterrado no dorso, avistava-se a linha do horizonte, com uma mancha negra. Ao chegarem, os baleeiros encontrariam uma grande baleia já morta, a flutuar. Histórias de outros tempos, entretanto já terminadas (a pesca baleeira foi dada como definitivamente encerrada já nos anos oitenta do século XX), mas não esquecidas na Lajes do Pico Museu dos Baleeiros.jpgmemória das gentes das Lajes e de São Roque.

 

 

   Instalado em antigas casas de botes baleeiros do século XIX, o Museu dos Baleeiros das Lajes do Pico foi inaugurado em 1988 e retrata a atividade baleeira, que prosperou na ilha entre o século XIX e os anos 80 do século XX. Este museu pretende perpetuar a memória da tradição da pesca da baleia nesta ilha açoriana do grupo central, em particular, no concelho das Lajes. 

 

 O Museu dos Baleeiros, em conjunto com o Museu da Indústria Baleeira (São Roque do Pico), é único na Europa, demonstrando a importância, as circunstâncias e dificuldades desta atividade às gerações vindouras, mantendo preservado um importante património museológico, dedicado especificamente ao tema e à atividade.

Lajes do Pico - vista.jpg

 

Em permanência, é possível encontrar peças e histórias ligadas a variados subtemas relacionados com a profissão baleeira -  os botes baleeiros açorianos, a área da construção naval, a Arte Baleeira (scrimshaw  - arte pictórica gravada em osso de baleia, entre outras formas) e o dia a dia do baleeiro em Terra. O Museu conta ainda com uma biblioteca, um centro de documentação, um auditório e um espaço para organização de atividades institucionais e pedagógicas.

   O Papagaio Indiscreto teve o privilégio de poder conviver, durante alguns anos, com as gentes da Ilha do Pico, em particular com as pessoas das Lajes e do restante concelho. Na altura, até por relatos feitos por individualidades da própria Vila das Lajes e por outras figuras diretamente ligadas ao falado Museu dos Baleeiros,  foi possível ficar a saber que a introdução da pesca ao cachalote terá sido devida a pessoas ligadas à América do Norte que, ainda durante o século XVIII,  induziram a este tipo de caça marítima, atividade essa que veio a ser um dos principais sustentos da Ilha, a par da produção dos mais variados produtos derivados de cetáceos.museu dos baleeiros.jpg

 

    Nas Lajes, hoje, a Terra das Baleias tem as baleias em terra, na memória das pessoas, nas histórias que se contam e nas instituições que tentam preservar este legado, ao abrigo da erosão do tempo.

 Papagaio

 

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