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Giló - O Papagaio Indiscreto

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Giló - O Papagaio Indiscreto

Um castigo para os diretores indisciplinados

  Giló Papagaio Indiscreto.png porta-diretor-de-escola-copy.jpgDepois das toneladas, melhor, hectolitros de verborreia debitada durante a última vintena de anos sobre as causas da degradação do comportamento dos alunos e consequente degradação do ambiente no meio escolar, cheguei a duas conclusões:

- a primeira é que suporto cada vez com mais dificuldade a dita verborreia, que se materializa em sucessivos programas televisivos, artigos de opinião em jornais e revistas, talk shows, seminários, ações de formação, workshops, artigos científicos... já para não falar no calvário que é ouvir a sistemática lamentação dos professores e funcionários escolares ( a indisciplina escolar até tem o seu lado positivo, uma vez que dá de comer a muito teórico, a muito professor universitário a muito apresentador de televisão e locutor de rádio e contribui para um enriquecimento notável da literatura dissertacional!);

- a segunda conclusão é que a luta gerada no debate da questão tem gerado tanto como: NADA!!!! Conversa da treta em que sobra mais palha que grão. Há muito quem aponte o dedo, mas pouco quem, efetivamente, se dê ao trabalho de ajudar a curar a ferida. Afinal, os resultados do debate continuam cada vez mais à vista - tudo na mesma, corrijo... tudo cada vez pior! E daqui pra Cristo!

    Dado este ponto, eu propunha, talvez, até como forma de acalmar e diminuir tanto ruído, que  começassem todos por se calar, se fizessem o favor! Já basta o barulho e a confusão que os alunos fazem nas salas!

    Dir-me-á o caríssimo leitor: ( falo no singular porque não acredito que o post seja lido por muito mais que uma pessoa!)  que toda a gente sabe que o problema está na família, cada vez mais desestruturada e  ausente da vida dos filhos; ou que a sociedade vive distraidamente o culto exacerbado do materialismo e que dá pouca importância aos VALORES; que os miúdos hoje é que mandam, que os pais não sabem dar educação, que a sociedade se distrai, igualmente, com os brinquedos da tecnologia e quem domina esta última é a gaiatada; ainda, que os professores também são pais e que, por isso mesmo, têm a culpa a dobrar - de manhã gritam com os filhos dos outros, de tarde, vão à escola onde estão os próprios filhos e gritam com os colegas de profissão...à noite, recorrem à caixa do Alprazolam, para mais uma dose! Todo este ciclo dramático!

   Talvez tenha que dar o braço a torcer a este estilo de peça trágica e concordo que muito mais se passará por aí, e que ficará por dizer, mas que  não vai, aqui, ser dito, por falta de tempo, paciência e interesse da minha parte.

   Contudo, e é mais aí que quero chegar, num destes cândidos dias, alguém se me atravessou à frente com esta, o que me divertiu! ( primeiro não liguei muito, depois, já muito mais tarde, pus-me a pensar um pouco melhor e talvez tenha chegado à conclusão - terceira - que não será tão descabido assim, apesar de ser , apenas, mais

uma visão que contribui para a verborreia da coisa): quem tem a culpa, em grande parte, são os diretores das escolas e as suas direções! Não apenas os supostos bairros degradados ou as comunidades desfavorecidas complicam as coisas! O diretor e seus adjuntos -  também levam!

   Perguntei porquê, ao que me foi respondido que, em vinte anos de experiência profissional - em carne e osso presentes -  em estabelecimentos de ensino, lhe foi dado a verificar - à pessoa em causa - que as escolas mais "desestruturadas" e com  população escolar mais arrogante, indisciplinada e com baixa taxa de sucesso são aquelas  que acrescentam um diretor ou uma direção denominada de "fraca".

Perguntei o que era uma direção "fraca".

Resposta ( mais ou menos assim):

- aquela que se esconde no gabinete e nunca de lá sai ( raramente se lhe vê a tromba);

- que aparece só para ir fumar o petilho fora do portão, seis ou sete vezes ao dia ( o resto do dia, raramente se lhe vê a tromba!);

- que sabe que as turmas saltam em cima das mesas e finge que não sabe de nada, assume-se escandalosamente surpreendida - de repente, aparece à chicotada a toda a gente, varrendo tudo com medidas disciplinares de grande visibilidade e dramatismo ( uma vez por ano) e depois desaparece na caverna novamente;

 - que não sabe onde é a sala de professores;

- que passa a vida na sala dos professores, a fiscalizar ( parece que também acontece);

- que entra na escola de fininho, tentando que ninguém saiba que já lá está;

- que é mal educada ao telefone;

- que ainda é mais mal educada ao vivo ( grita e exaspera ainda antes de chegar o problema);

 - está sempre mal disposta;

- que vai à cantina quando os outros professores já de lá saíram ( ou ainda não lá estão);

- que vai ao bar quando os outros professores já lá não estão ou já de lá saíram;

- que decide sem o conhecimento de ninguém e dá conhecimento geral à última da hora no placard oficial;

- que diz que não disse o que disseram que disse ou não disse bem assim;

- que chega a janeiro e ainda anda a fazer mudanças nos horários;

- que chega a fevereiro e ainda anda a fazer trocas de alunos de turma em turma;

- que distribui prendas a alguns - por exemplo, dia livre - e vergasta outros com cargas assombrosas de trabalho e horários inenarráveis;

- que atira com os "casos difíceis" e as direções de turma "cabeludas" para cima dos novatos que chegam de novo e não conhecem o ambiente;

- que muda as regras a toda a hora, em função do humor e da pessoa com que se fala;

- que tem medo dos alunos, mas finge um ar mandão, como o do Mourinho; 

 - que faz o mesmo com os funcionários a da limpeza, mas fala fininho com o/a chefe da secretaria;

- que aparece para a fotografia, quando está presente um fotógrafo importante;

- que invoca ortodoxamente a lei, mas raramente a aplica;

- que desconhece a lei e a aplica, por isso, fora da lei, sem saber que está fora da lei;

 -que conhece a lei mas aplica a gosto e prazer só para "lixar";

(continua no próximo capítulo...)Giló Papagaio Indiscreto.png