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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

Sim!, Srª Ministra... Sinistra... Extremista...

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   Há já um ano que andava a tentar encontrar uma razão mais ou menos válida para justificar a existência deste pasquim malcheiroso e pedante na blogosfera e só agora é que a encontrei: mais um pouco de indefinição dentro desta cuca e de vazio desorientador e desistia deveras! Ai desistia, sim senhor! Ainda mais agora que o blogue está a fazer um ano.

   Afinal, o que é que descobrimos de tão essencial? Que a presença do papagaio se justifica por uma razão bem simples e singela, por sinal. De facto, o Papagaio é absolutamente imprescindível à comunidade blogásmica, é isso! Até quando está na casa de banho faz falta. E a prova disso mesmo é que temos ouvido, ultimamente, muitas pessoas repetirem umas frases que têm tanto de emblemático como de indicativo, frases essas que retiram qualquer dúvida sobre o tutano da necessidade fundamental dos serviços desta vossa ave. As frases são, entre outras : "...já cá estavas a fazer falta!" ou " ...só cá faltava este, agora!" ou, ainda: "...pronto! Não faltava cá mais nada!". Esclarecidos?

   Um outro dado é que, para além desta primeira razão, há uma outra que valoriza o Papagaio Indiscreto e que o torna numa espécie de pedra-chave no meio disto tudo: o Papagaio é sempre dos primeiros a saber, o que o torna numa fonte indispensável de informação nas redes sociais sápicas.

   Por exemplo, talvez ainda ninguém saiba da última novidade, mas o Papagaio sabe TUDINHO!!! - Maria de Lurdes Rodrigues, antiga ministra da educação, afinal, e de fonte seguríssima, parece que não vai ser acusada nem de corrupção, apropriação indevida ou favorecimento a amigos, no tempo em que era Fuhrer, nem de destruição da vida de centenas de docentes e auxiliares de educação. Casos que remontam à fase de certas lutas pedagógicas e educativas do reinado hipocrito-socrático. E como a Luluzinha já não vai de cana, o rumo, ao que consta, será noutro tipo de castigo para políticos absolvidos: convite para o cargo de Ministra do Sapo Blogs. A primeira medida do seu gabinete será, sem hesitação alguma, dividir a comunidade em bloggers e bloggers titulares. Os primeiros fazem o trabalho todo, sem poder subir de escalão e os segundos, que são os mais "rodados" e com "mais anos de brilharete" ficam com a publicidade na íntegra e os destaques necessários até ao topo da carreira postal. Fixe!

   Uma outra reforma luluzal que promete tornar-se extremamente popular, visará a redução de horário letivo para quem mais falar de chocolates e não se calar, da mesma forma, com o palavreado superficial relativo à igualdade de género; a  progressão por mérito para quem elogiar e for mais amigo da ministra também estará em cima da mesa, juntamente com um leitão à moda da bairrada; as cotas para obter a menção de "excelente" nos posts chiques serão abolidas para os escrevinhadores da moda costumeira.        Por último, o Papagaio e a sua multidão de fãs e amigos (dois amigos e meio, no total) serão assados e depenados no carvão em brasa, com vista à sua total abolição e extinção do contraditório democrático. Vivá Ministra, carago!

Papagaiopapagaio

   

Ai os Camelos no Deserto e o Q.Z.P. Aqui Tão perto!

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   Primeiro, pedir desculpa pelas más condições em que está a chegar o nosso post/carta, situação a que somos totalmente alheios. As dificuldades prendem-se com o facto de estarmos a transmitir o nosso blogue em diferido a partir de Marrocos. O Ministério da Obras Públicas decidiu plagiar o Ministério da Educação e deu-nos "música" - colocou-nos num Q.Z.P. a milhares de quilómetros da nossa residência de origem, a servir de pedreiros num sanitário público mandado construir por Sua Majestade, o Rei Mohammed VI. Nós bem que protestámos e avisámos que não éramos professores, mas empregados das obras,  - trolhas!- só que ninguém fez ouvidos. Parece que a colocação como servente-júnior é por quatro anos, o que nos faz sentir um pouco como camelos no deserto: pelo sim, pelo não, já engolimos dois barris de cerveja, não vá uma pessoa ter sede durante esta longa travessia e morrer de desidratação à família!

   Segundo, pedir desculpas também pelo atraso na escrita/publicação, mas a verdade é que andámos à procura de casa para ficar, o que não é fácil aqui na mobilidade interna de Marraquexe. As rendas pedidas são proibitivas - alguém deve andar a plagiar os senhorios de Lisboa - e os apartamentos difíceis de encontrar. Vimo-nos na emergência de ter de arrendar uma tenda e estamos a partilhar quarto com mais dois beduínos e um dromedário que veio carregado do Quadro de Agrupamento 2,3/S da Rota da Seda, que é uma espécie de califado só para amigos contratados em reserva de recrutamento, lá para os lados do deserto da margem sul. O dromedário até parece ser boa pessoa, mas os beduínos são uns animais um bocado esquisitos de aturar e exalam uns odores meio estranhos durante o sono. Não é fácil dormirmos todos na mesma cama, à noite!

   Terceiro, pedir desculpa à família aí na terra: ainda não pudémos enviar pilim pelo correio para Portugal, mas é que aqui no cu de judas não há bancos nem correios. Em relação aos bancos, até ficamos mais descansados porque é um alívio e uma ajuda ao aforrador que sabe da poda debaixo do colchão, que é sítio muito mais inteligente, mas os correios até que  a modos que fazem um bocado de falta! E mesmo que houvesse, o Ministério daqui só paga de dois em dois meses e é em géneros. Pelo que, teremos de arranjar uma solução para enviar o bode, o cuscuz e as raízes de canábis (o bode até pode ir a reboque do lado de fora dum batel qualquer que saia daqui). Pela Easyjet não vai poder ser, porque a companhia, ao que parece, decidiu plagiar, a papel químico e com uma XEROX, a Ryanair, e cancelou os voos todos, para dar uns dias de folga ao pessoal de cabine, ao que consta na imprensa. Não sei é se o Tony Carreira vai gostar quando souber que lhe andam a copiar as manhas!

Papagaiopapagaio

Quizz: Desarrumações Mentais

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C.S....zinha:

1 - Se te pagassem 100.000€ para posares na capa de uma revista, a segurar uma garrafa de champanhe numa mão e com alguém ao teu lado a dar-te morangos à boca vestido com o fato-de-banho verde do Borat, preferias que essa pessoa fosse o Manuel Luís Goucha ou o Fernando Mendes?

Os dois. E cobrava 200.000, em vez de 100! E como brinde ainda puxava a tanga e mostrava o rabo, por mais 50.000!

2 - Ias num cruzeiro, o teu barco naufragava, só havia dois sobreviventes e ambos davam à costa na mesma ilha deserta, com 4 metros x 4 metros. Teriam que obrigatoriamente conviver um com o outro todas as 24 horas do dia e ajudar-se mutuamente para sobreviver. Escolhias naufragar com o Donald Trump ou com o Kim Jong-un?

Os dois. Deixava-os andarem à pancada e quando estivessem exaustos, atava-lhes umas cordas às banhas e fazia uma jangada com as duas pipas gordas, para boiar, uma de cada lado. Quando chegasse a casa atirava a jangada às tintureiras e aos anequins.

3 - Estás de olhos vendados numa câmara de tortura a ouvir em loop os mesmos 5 CD's. Não sabes quanto tempo vais lá estar, pode ser 1 dia, pode ser um ano. Que banda sonora escolhias: Quim Barreiros ou Ana Malhoa?

Os dois. Um para cada ouvido. O Quim berrava pela garagem da vizinha de um lado e eu apontava do outro,  para o arco-íris de todas as cores da Ana, que ela ia faze-e-er e mistura-a-a-r e aprend-e-e-er!!

 

4 - Escolhe, rápido: uma martelada no meio da mão direita ou bater com o dedo mindinho do pé esquerdo na quina de um móvel?

Se o objetivo é gritar "f*da-se" mais vale ir ao Made in Correeiros e olhar para o talão... é muito mais doloroso mas, ao menos, comem-se umas douradas e uns robalos!

 

5 - Última pergunta desta ronda: se fosses eleito presidente de Portugal, e te fosse concedido um génio da lâmpada que só te pudesse realizar um único desejo relativamente às tuas ações políticas, tu optavas por aumentar o salário mínimo para 1100€/mês ou fazer com que nunca mais houvesse um incêndio em Portugal?

Eu aumentava em 1100 euros/mês o salário dos professores que foram ultrapassados na mobilidade interna e acabaram no cu de judas por causa do racista do Ministro da Educação. Assim, apagavam-se alguns fogos! Ah!...e , já agora, também passava o ordenado mínimo não para 1100 euros mas para 11000!

 Nomeio a Margarida Rebelo Pinto para o quizz... tenho dúvidas é que ela saiba escrever!

Tenho dito!

Pap...papagaio

 

 

Onde está o Wally?

  

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   Não sei se as pessoas me acompanham, mas encontrar o Wally é das tarefas mais fáceis de realizar no mundo. Ele está sempre lá, nunca falha, ao contrário do que possa parecer! Por isso, se vos perguntarem onde é que está o Wally?, comecem sempre por responder: «-Está ali, na página!». A primeira coisa disto tudo é que é verdade e a segunda é que, quem disser tal, tem sempre razão. Em seguida, só é necessário apontar entre o tortellini labiríntico das cores e o macarrão marado das personagens.

   Da mesma forma, também é muito fácil encontrar o Agir. Se alguém perguntar onde é que está o Agir?, pode-se sempre responder: «- Atrás das tatuagens!». Depois é só necessário apontar entre as cores e os desenhos psicadélicos e escanifobéticos. Se ninguém souber o que significa "escanifobético", não é caso para preocupação exagerada, uma vez que eu também não sei de todo o que é que o raio da palavra significa, embora reconheça que soa a qualquer coisa muito estranha e bizarra, por isso é que a escolhi para colocar estupidamente aqui no post e dar brilho sensacionalista ao texto, ao estilo do Correio da Manhã, que é uma publicação pelintra que usa palavras escanifobéticas em títulos escanifobéticos para supostas notícias escanifobéticas, desprovidas escanifobeticamente de conteúdo. A bem que o digamos, o Correio da Manhã está para o Papagaio Indiscreto um pouco como o Papagaio Indiscreto está para o Correio da Manhã. Enquanto que o Correio da Manhã é uma espécie de Papagaio Giló da Imprensa, o Papagaio Giló é uma espécie de Correio da Manhã da blogosfera. Provavelmente, estará explicado o vazio...! Enfim, avance-se!

   Não obstante, e voltando ao busílis - que também é um termo que eu não sei mesmo o que quer dizer, mas que dá igualmente um jeito convenientíssimo no discurso, pelo estilo estiloso que encerra -  se não encontrarem o Agir atrás das ditas pinturas cutâneas, há sempre a possibilidade de o encontrarem num dia de sol a fazer de varal para prender a roupa que  a madame está a corar. Quem tiver falta de molas pode sempre telefonar ao Agir a pedir emprestadas as argolas, sobretudo se vocês estiverem a fazer máquinas com roupa de cor, embora a roupa branca vá igualmente bem com o padrão das tatuagens. Quem sabe não passa a Joana de Vasconcelos pelo bairro e se apaixona pelo quadro de imediato, requisitando a imagem sui generis para uma das suas apresentações de peças de "arte". Ainda acaba tudo à boca do Tejo a viajar num cacilheiro enfiado numas cuecas de renda e iluminado por um candelabro feito de tampões Evax... e com as argolas a fazerem de estendal!

    Por A mais B, fica, então, aqui provado que encontrar o Wally e o Agir é deveras muito fácil. Da mesma forma, também é muito fácil encontrar o Engenheiro Sócrates. Se alguém perguntar onde é que está o Engenheiro?, pode-se sempre responder: «- Das três, uma: ou está em Évora, ou está em Paris ou está na Universidade Independente nos exames de equivalência!» - caso a pergunta seja feita ao domingo da parte da manhã.

   Da mesma forma, também é muito fácil encontrar o Doutor Isaltino. Se alguém perguntar onde é que está o Dr. Isaltino?, pode-se sempre responder:«- À porta da Câmara, a tentar arrombar furiosamente a fechadura!»

   Da mesma forma, também é muito fácil encontrar o Major Valentim. Se alguém perguntar onde é que está o Major?, pode-se sempre responder:«- Na feira de Gondomar, a tentar convencer outra vez as velhas que é boa pessoa!»

   Da mesma forma, também é muito fácil encontrar as armas de Tancos. Se alguém perguntar onde é que está o arsenal do exército?, pode-se sempre responder: «- Em qualquer parte, menos no paiol!».

Bons livros...

Papagaiopapagaio

Um must: video-árbitro na blogosfera era o que fazia falta!

video-árbitro.jpg    Assim, punha-se fim a polémicas crónicas de uma vez por todas, acabava-se com os juízos feitos à medida e extraídos a olho, o que só propicia o erro e o compadrio e passava-se a analisar as incidências de forma uniforme, sem favorecimentos nem reclamações, aplicando-se a moralização do sistema, neste caso, blogueiro - já estamos a imaginar uma data de caramelos manientos (escola na qual nos inserimos!) que dão opinião sobre tudo e sobre nada  - e sem ninguém lhes pedir seja o que for! - imediatamente na linha, com distribuição de cartões vermelhos e amarelos. Assim, só a título de exemplo,Cocó na Fralda,  a Pipoca Pop-Corny e os Restaurant  Trendy Opinion Melgas  levavam cartão amarelo na hora, só porque me apetece embirrar com alguém - daí que eu próprio também devesse levar cartão amarelo, uma vez que não mereço menos que os outros; e as "pipis" da moda, que não fazem mais nada que repetir-se, a dar conselhos " vira-o-disco-e-toca-o-mesmo-faduncho-brega" sobre quais os sapatos, malinhas de pele de crocodilo mais chiques e sobre quais os pequenos-almoços mais pomposos, viam o cartão vermelho de rajada, com direito a várias semanas de suspensão na blogosfera, para paz e sossego dos que cá ficam!

    Obrigatória devia ser também a filmagem circunstancial de video-árbitro, para apresentação ao órgão regulador para a comunicação social, de todos os pseudo-bloggers que repetissem frases originais como: " ... este blogue foi criado para eu expressar aquilo que eu penso..." ou "... blogue X: a vida urbana de um(a) pai/mãe de família que tem de se levantar cedo para levar os seis putos todos à escola na mini-van..." ou, ainda: "... reflexões e sentimentos de um(a) palerma apaixonado por pipocas, viagens, fotografia, cinema, cobertores quentinhos, batons, sprays para a micose das unhas, pomadas vaginais, receitas virais e restaurantes que tais...". Pimba! Tudo fora de jogo!!!! com recurso a imagens gravadas e espuma de barbear no chão para ver quem está a pisar o risco fatela... e abertura de procedimento disciplinar sumário para aplicação de medidas sancionatórias!

   Uma dessas medidas podia ser a obrigação de frequência de uma noite integral de swing num quarto de pensão com o marido da Carla Kinky (para os bloggers masculinos!) ou um encontro bondage sadomaso com a própria Carla debaixo de um viaduto escuro (para as bloggers femininas!). Ela não espanca, só chibata!

   Para mim, que também já assumi a minha mania, o cartão vermelho, a ser aplicado com recurso a decisões gravadas  via-vídeo, devia vir acompanhado de uma repreensão escrita passada pelo quartel general do Sapo Blogs. Como não gosto sexualmente de homens nem de mulheres, uma vez que só faço amor selvagem com papagaias, podia ser punido com uma viagem às exóticas caraíbas, durante três anos, para trabalhos forçados numa praia com palmeiras e côcos frescos e sumarentos e castigo de trabalho comunitário na forma de aconselhamento pessoal às papagaias residentes.

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"Espólio", de Alves Redol - Nasci com passaporte de Turista

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    A riqueza e a complexidade com que é construída a imagem da personagem principal do conto Espólio, de Alves Redol, acabou por cativar a nossa atenção. Afinal, poderíamos debruçar-nos sobre qualquer outro conto,   sobre qualquer outra história,sobre qualquer outro autor, - de preferência fazer a vénia a uma paixão por um nome literário da moda, talvez um gigante de vendas estrangeiro, colocado numa prateleira chique, da qual pudéssemos ser vistos por todos a consumir cultura e a seguir o azimute das Trends - sobre qualquer outra categoria que ao plano da construção narrativa dissesse respeito. Por ventura um romance que nos enchesse o ego.  Mas acabámos em Zé Maçarico, um alma-de-Deus, homem do povo, já fora de idade (daí a análise à temática da influência do tempo sobre a personagem) excomungado da vida, renunciado por todos, até ao ponto de ele se renunciar a si mesmo! Zé Maçarico faz parte de nós, ainda que o queiramos renegar, é nosso, é a nossa história e a nossa matriz. Ninguém nos tem espelhado tão bem perante os nossos olhos como Redol - e mais meia dúzia -  e só o recusa quem tem a mania de recusar as próprias raízes e de se armar em elitista literário e social.

   A tese do compromisso social da literatura faz-se, aqui, partindo da representação do universo psicológico da personagem, e da sua relação com o mundo. À medida que passamos por cada linha deste conto de Redol identificamo-nos cada vez mais com a ideia de que a elaboração da personagem acaba por se tornar num mecanismo privilegiado, através do qual o autor ascende à denúncia e à projeção de valores que, pela sua presença ou ausência, considera essenciais na construção do debate sobre a sociedade e sobre o Homem. Assim, vemos um Zé Maçarico humanista – por vezes – num constante duelo de forças que o fazem também ser, em outros momentos, herói em contradição.

  O drama que enforma a personagem, a sua alma cinzenta e solitária, o despojo de vida que sofre, o conflito moral que representa, a atordoante incapacidade e passividade de que se reveste – já nem à égua pode valer, servindo-lhe a ceia! – atordoa o próprio leitor.

   Como podíamos deixar de chorar com a imagem de Zé Maçarico, deixar de dividir a sua dor, partilhar o frio que lhe vai na sua alma? Poderemos enquanto leitores encontrar outra forma de ajudar o homem que, no fundo, comete a ousadia de nos mostrar aquilo que nós próprios somos, ou aquilo que tememos que, um dia, venha a ser o nosso futuro? Zé Maçarico é espólio de grande e perturbante beleza. Melhor - a maior das belezas está encerrada na própria degradação de Maçarico. A idade, a pobreza, a decadência, o ostracismo, a indiferença, a saudade e a tristeza a que se vê sujeito não deprimem, porquanto é uma pintura valiosa, plena de arte honesta.

“Estava gelado. Não sabia se era o vento entrando pelos buracos da porta e pelas fendas do telhado que o arrefecia, se o frio que sentia dentro dele e gelava o ambiente…Esfregou as mãos e deu-se de torcê-las, como se nelas esmagasse a vida.”[1]

 

[1] ALVES REDOL- Nasci com passaporte de Turista, e Outros Contos

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Madonna: um Problema de Identidade.

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   No estado atual de coisas, qualquer pessoa descobre que os sírios são muito mais inteligentes, formados e informados que a Madonna, embora esta seja estupidamente vários milhões de euros muito mais bastante multi-milionária e até podre-de-rica. É corrente e indubitável que o dinheiro traz felicidade, mas não aumenta o Q.I! E o cúmulo da parvoeira parva foi reinventado quando Louise Veronica Ciccone se pôs a inventar e veio dizer que queria viver e comprar casa em Sintra quando, à mesma hora, os refugiados estavam já todos a regressar para as mãos do Estado Islâmico, a fugir assustados de Portugal, quando souberam pela Ângela que era para aqui que os queriam mandar.

   Não nos parece nada bem que enganem a diva musical, para mais quando muitos dos que neste país vivem,  anseiam mas é em colocar-se de algum modo na alheta, para mais quando temos políticos a incentivar à emigração, para mais quando os migrantes que fogem ao terrorismo preferem o terrorismo a ter de enfrentar a ASAE  e o SEF, porque os terroristas são infindavelmente mais moderados, humanos e menos inflexíveis que os nossos fiscais.

Assim, Madonna pavoneia-se a dizer que deseja vir cá para dentro e desfrutar das maravilhas de Portugal, o que indicia que levou demasiado à letra os panfletos da secretaria de estado do turismo. Das duas, uma: ou a Louise Ciccone bebeu e ainda não regressou à terra ou o seu estado de loucura é mesmo natural. Nós viramo-nos mais para a primeira hipótese... e para a segunda também... tudo conjugado à mistura com uns chazinhos de erva(s).

  Há uma terceira suposição, que igualmente pode ser colocada em cima da mesa: dar-se-á o caso da cantora ter andado a assistir às Sete Maravilhas-Aldeias de Portugal, na RTP, e ter-se deixado levar a julgar que o nosso país era mesmo aquilo? Provavelmente alguém lhe cromou a pílula em excesso e ocultou-lhe propositadamente sobre a caça às bruxas, sobre a Brigada de Trânsito da GNR, - que já não existe mas que anda para aí à mesma a pregar partidas e a fechar os olhos quando convém, - sobre os radares a seguir às curvas, sobre os cocós dos cães no passeio, sobre a história do IMI remanescente e a dobrar (ai! palaciozinho de Sintra!!!), sobre o José Castelo Branco, sobre a taxa de natalidade e o Love on Top, sobre o concurso de professores, sobre o serviço de Finanças, sobre a saúde e as filas de espera... nem a terão alertado para os programas da Cristina ao fim da tarde ou que as torres de Tróia foram abaixo mas já lá estão outra vez! Alguém a avisou do  estacionamento a pagar? E das semanas infindáveis à espera que se trate da burocrática papelada? E das decisões que demoram anos a chegar e nunca mais chegam? E da embirrice por tudo e por nada? E do outro que não vai com a cara do outro e lhe lixa a vida? E do ordenado mínimo?

    A rapariga não vai conseguir arranjar emprego, nem nas caixas do Lidl, por causa do excesso de habilitações.  Não sei se lhe perspetivaram sobre a falta de oportunidades e sobre o compadrio. E se julga que tem hipótese a cantar e a dar concertos, que tire já a mula da chuva que o Salvador já marcou a agenda com as câmaras municipais até para depois da cirurgia torácica. Na política também não vai ter lugar, na medida em que as listas para as eleições autárquicas já estão cheias com nomes adequados de amigos dos amigos, sem qualificação nem currículo, que isso é o que menos importa.

   Já estamos a ver onde é que isto tudo vai parar, mais dia menos dia. A menos que a Alfândega de Lisboa acredite que a identidade de Louise Ciccone é a mesma coisa que a identidade de Madonna, quando ela lá for levantar a bagagem, e não lhe enterre no armazém de embargo as Louis Vuittonad eternum,  adivinhamos ressentimentos e arrependimentos... e uma mansão à venda em Sintra. É este o nosso maior receio! Nós, ontem, por exemplo, estivémos nas instalações do SAPO e ficámos lá "enterrados" porque ninguém acreditou na nossa identidade, que nós éramos, efetivamente, o Papagaio. E o Sapo Blogs não costuma ser tão embirrento como a Alfândega, note-se, pelo menos às quintas feiras.

 " - Madonna, filha: estás aqui, estás a abrir os olhos! Portugal não é isso que está aí escrito, alma de Deus!"

Papagaiopapagaio

Regresso à Portuguesa, Com Certeza!

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    Após levantar-me cedíssimo, decidi iniciar o dia voltando à rotina habitual: depois de seis segundos de Yoga madrugador debaixo da azinheira, acabei por calçar as galochas e vestir o avental, para dar de comer à criação. Reparei, no meio disto tudo, que estava meio enferrujado e que as férias me deixaram completamente "out", desorientado da realidade: para além de já não saber onde é que ficava o curral dos porcos e de onde raio é que paravam os coelhos, troquei, por inércia mental, a ração das galinhas com os meus corn flakes de fibra - algo que só dei conta quando, no estábulo, pus a colher à boca durante o pequeno-almoço. Vale mais viver lá para os lados de Lisboa e voltar de férias enfrentando o trânsito no IC19 ou da Segunda Circular. É muito mais fácil, até porque há tabuletas indicadoras em qualquer canto, que nos orientam. Viver no campo é uma m*rda muito exigente e absorvente, digo-vos já! Nunca cometam o erro de vir para a parvónia...é um stress e uma desorganização maluca! A não ser que venham para abrir um turismo de habitação local e rural, que é mesmo o que está a fazer muita falta, porque ninguém da cidade ainda se lembrou disso!

   Numa pintura geral,  e depois da pausa, a minha secretária está cheia de assuntos pendentes, a necessitarem de "despacho" - não fiz a ponta daquilo que o rinoceronte tem à frente dos olhos e as pilhas de papéis foram ficando amontoadas sem lógica nem orientação, sem um papagaio saber por onde sequer é que deve começar. Talvez volte a pedir férias depois das férias.

    Já entendemos que o problema é que a pausa foi tão excessivamente grande (eu sei que toda a gente se queixa do contrário) que a atualidade ficou toda pendurada no apeadeiro,  - a agigantar-se, como o Hulk quando fica enervado - e a sentir a falta de levar uma chibatada do Papagaio. Com tudo por maldizer e etiquetar, num caos "f"..., só me resta prometer, tal qual um político mentiroso, que vou dar andamento à carruagem. Tentar perceber por qual "ponta agarrar" é que pode ser uma grandessíssima duma dor de cabeça - e isto ainda nem começou!

    Podia tentar começar pelo desporto, mas atrasei-me catorze segundos e agora, se calhar,  só em janeiro. Até lá, os jogadores de futebol do Sporting podem sempre, se quiserem, ocupar o tempo a tocar ao bicho, até que abra o mercado, o que não deixa de ser agradável e estimulante. Esperemos é que os catorze segundos não contribuam para dar um passo atrás na carreira do(s) moço(s). Se alguém tiver por aí umas "Playboys" para emprestar ao(s) rapaz(es)... talvez os gays mafiosos de Braga possam dar uma mãozinha na situação... ou o Bruno!

   Também podíamos analisar a questão dos professores, mas prevemos que antes de sexta feira não haja gente em casa. Está tudo para fora, deslocado a centenas de quilómetros e a preparar-se psicologicamente para aturar putos malcriados e agressivos; também a ir ao psiquiatra e a meter atestados falsos. Uns, no sul, - os que são do norte - outros no norte, - os que são do sul. Os do interior foram apanhar uns banhos indesejados até à praia, e os do litoral, a maior parte deles foram colocados no novo QZP, lá para os lados de Olivença, que ainda faz pertença a Portugal, pelo menos na cabeça da DGAE, para efeitos de colocação de concursos de docentes. Quem tem a culpa disto tudo é o IPMA, porque não recruta meteorologistas e geógrafos no Ministério da Educação - ainda ninguém percebeu que os técnicos da Direção Geral da Educação são ótimos a Geografia,  a colocar professores no lado errado do mapa, a provocar terramotos, furacões e a promover tempestades. Os filhos dos professores que ficaram, entretanto, em casa sozinhos, podem sempre iniciar-se nas ervas, por falta de controlo parental, ou, em alternativa, podem dedicar-se também intensivamente a tocar ao bicho como alguns jogadores do Sporting ou quase todos os do Benfica que estão parados por lesão.

   O que resta? Eventualmente, o melhor será dar cabo da curiosidade e dizer logo o que fizémos nas férias. Nas férias... fomos de férias. Comprámos bilhete na companhia aérea Microsoft, ficámos alojados em hoteis cinco estrelas das redes NOS e Galp e tudo tratado gratuitamente a convite das agências de viagens Oracle e Huawei. Ou não fôssemos nós orgulhosíssimos funcionários públicos também em altos cargos da administração.

Desejos de boa corrupção...

Papagaiopapagaio

   

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