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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

Dicas para um best-seller de sucesso.

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    Não... se alguém já está com o espírito a imaginar ironias e sarcasmos  e a adivinhar que vamos sugerir um caso amoroso com o editor, então isso é dos mais básicos erros de palmatória. Não seríamos capazes de atingir tamanha perfídia! Há outras formas de atingir o sucesso sem ser preciso entregar (muito) o corpo...nem o original a uma gráficaVanity

   Os sacramentos do sucesso editorial contemporâneo podem muito bem ser, entre outros, estes sete...ou oito!,...que passamos a partilhar:

  1.  Saiba que a tragédia  adensa a curiosidade e traz leitores: por isso mesmo, é aconselhável que o herói -  o marido -  tenha um carro seguro e de gama alta, mas que sofra sempre um acidente de viação terrível na viagem antes de ser promovido pela patroa com quem anda enrolado, perdendo para Deus a pobre esposa incauta e dedicada, juntamente com os seus dois filhos menores e inocentes, que vão no banco de trás do veículo;
  2.  Imagine que, se for a mulher a conduzir o carro, ela pode safar-se, podem morrer os outros todos à mesma!(o marido e os filhos), mas o socorro deve ser feito por um bombeiro super corajoso, na casa dos trintas, com problemas conjugais, ar de garanhão - de preferência! - e numa busca silenciosa da sua verdadeira identidade emocional e de uma mulher que o queira provar mais do que uma vez por mês, papel que sobrará para a viúva, depois de muito choro e insinuação;
  3. É importante avisar que o leitor hodierno gosta de referências concretas e muito factuais, nada de abstrações e divagações subjetivas. Bordejar, por isso, aqui e ali, na trama narrativa, a surpresa e o escândalo, por exemplo: a que nos referimos é que o amor é importante, mas o espaço geográfico, o tempo e a materialidade simplória facilitam a perceção do texto e a localização diegética por parte do (limitado) leitor atual - resumindo: coloque um título como: "O Meu Milionário Grego do Iate, afinal é casado e vai ter um filho legítimo"...e é sucesso quase garantido; o público feminino não resiste aos calores;
  4. Não esquecer as redes sociais - se alguém do enredo, na escrevinhatura,  tiver um plano maléfico, encontrar a amante perfeita e tiver um caso escaldante, - ou perder uma fortuna -, isso já não pode acontecer numa sessão de roleta dum casino! É fatela e primitivo. Tem de ser tudo online. Lembrar que o público leitor mais jovem usa smartphone mas não sabe o que é um casino nem o que é a traição com colegas de emprego, porque não tem emprego nem o vai ter na próxima década, provavelmente.
  5. Ter atenção ao vocabulário, sobretudo na sinopse que aparece geralmente na contracapa -as palavras e expressões que funcionam e que se recomendam são: "beijo", traição", "homem de sucesso", "cresceu", "engano", "pescoço",  "lambeu-lhe", "perfume", " fortuna",  " caiu-lhe nos braços", "segredo", "best seller", "New York Times", " entregar o corpo", "ato desesperado", " recomendado por Nicholas Sparks", " Estados Unidos", " conspiração", " mulher fascinante", "pôs-lhe a mão nos seios", " pegou-lhe no membro hirto", "inesquecível", " gozou lentamente como nunca", "idealizou" e " ...do mesmo autor de...".
  6.  Nem pensar em histórias policiais e sinuosas com mordomos!: se, ainda assim, for esse o caminho escolhido, substituir ou criar um caso amoroso entre o mordomo com um jogador da bolsa ou com um ativista transsexual frustrado , que acaba preso nos Estados Unidos depois de um desfile de moda e uma conspiração internacional e uma sessão de swing em grupo, com chicotes e drogas à mistura, e que acaba mal;
  7. Imagine uma história em que a personagem principal é uma mulher aparentemente tímida e frágil...e ela é que manda: é o caminho mais indicado, sobretudo se criar uma mulher de corpo vulgar mas atraente e ar inofensivo e discreto, que se movimenta nos bastidores, sempre de saia média e decote pouco católico, a injetar indiretamente alguma t*são, mas obviamente acima de qualquer suspeita. As santinhas são mesmo sempre as piores! Não fuja ao clichê! Coloque-a a telefonar ao Presidente e ao Primeiro-Ministro sem ninguém saber nem adivinhar, e a jogar com os palermas dos dois bonifrates, deixando-os acreditar que eles é que decidem os destinos. No final, o texto pode acabar com a hipócrita a beber chá à beira da janela do seu apartamento de luxo,de tanga previsivelmente sensual, a revelar as suas garras, na companhia de um Youtuber infantil, obeso, com a barba por fazer e o banho por tomar, e que não paga direitos de autor e foge ao fisco. Já agora, não convém que o Youtuber tenha mais que o 9º ano incompleto! 
  8.  Ordene ao editor que lhe organize uma sessão de lançamento numa data e num local que levantem polémica:  mas é melhor tirar loga as esperanças e a ideia em alugar alguma das salas da Casa Branca, que já estão reservadas com lançamentos (de pedras!) até 2020! A casa que  Maria Leal "herdou" do "marido" é uma hipótese, se for um romance que envolva intriga e embuste, e desde que o mesmo livro não aborde temas que tenham a ver com o mundo da música, o que seria ainda de maior mau gosto. Outros espaços que estão fora de questão são a casa da Margarida Rebelo Pinto e o apartamento em Paris de Tony Carreira. A alternativa é o de José Sócrates, que fica quase ao lado do de Tony, e que vai muito bem com novelas sobre corrupção e intriga familiar e política. O estúdios da SIC também não são aconselháveis, sobretudo da parte da manhã, por causa do excesso de barulho com vem dos lados da Malveira.

P.papagaio

Uma buzinadela, pelo nosso querido coirão...

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     Esta manhã, finalmente percebi, após anos de investigação levada a cabo pela minha papagaia animalidade, a razão pela qual temos na nossa terra uma taxa de sinistralidade rodoviária tão elevada:  se os espanhóis conduzem como cabras no redil, - Deus os guarde - em Portugal conduz-se como bodes num curral.  O código e a segurança estão em segundo lugar, e a pressa e estupidez em primeiro, a par com as aulas de condução tiradas nas embalagens low-cost de ração para canídeos, do LIDL, que ficam junto aos peluches fofinhos e coloridos a 3,99 + 350 euros em compras.

     Lição de moral: gastam-se centenas de milhares de euros em estudos que duram anos, e eu fiz este estudo totalmente grátis, assim, de forma muito mais económica para o Estado Português. As conclusões são irrefutáveis e o agradecimento público por parte da sociedade ao Papagaio é completamente escusado, uma vez que a dedução final ficou concluida esta manhã, após eu ter sido quase atropelado três vezes no espaço de dez minutos. Salvei-me eu e o cocó quase a querer sair do intestino, a dizer olá...

Pap...papagaio