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Giló - O Papagaio Indiscreto

#Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog #

Era (mais) uma vez a Literatura Portuguesa II

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    Há pessoas que "aaamam" livros  mas que só pegam num autor português se forem ao engano. Por exemplo, se o autor for imensamente chique e famoso ou se houver direito a pseudónimo e este soar a inglês. Os autores cujo nome soa a italiano também se costumam safar junto do leitor intermédio português, porque o italiano tem muito charme e estilo e, para além de fazer recordar sapatos finos e pasta, também lembra fatos caríssimos e perfume! Portanto, só por meio do embuste é que se leva a que  80% dos portugueses  - que se acham mais ou menos cultos e que o costumam mostrar envergando livros na mão, na praça, - sejam apanhados com um texto escrito por um autor português. Se, a meio, descobrirem o equívoco, raramente darão por terminada a leitura, que aquilo começa a ficar demorado e sem graça. Entretanto, chega a hora de ir fazer outra coisa, como  jantar,  gerar uma discussão doméstica (30% das vezes com direito a violência física), apanhar o 38 ou garatujar o blogue pessoal com o inadiável posto do dia...

   Outras, gostam de literatura e não de livros. Nós somos desses: uma espécie fedorenta e incomodativa, manientos racistas diegéticos, que só leem mesmo o que lhes apetece e que chegam ao fim da história sem saber muito bem qual é a proveniência nem o nome do autor. Um destes dias quase que confundia M.E.C. com M.R.P., não fosse um parágrafo avisador que insistia numa pensão de alimentos providenciada por um administrador bancário que cheirava supostamente muito bem, mas que tinha sido apanhado com os tom*tes entalados numa barra de tribunal. Só para confirmar o engano, virei de página e encontrei a seguinte passagem, que tirou todas as poucas e restantes dúvidas que ainda pudessem existir: "Podias ter-me dito que ias sair da minha vida. A paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor, e eu sabia que a tua paixão não iria resistir à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância".

   Outra coisa que fazemos, para além de não desprestigiarmos a literatura nacional, é não dar conselhos de leitura. As livrarias e bibliotecas estão de tal forma atulhadas que o mais fácil é pegar num livro. Basta esticar o braço. Pedir conselhos sobre livros é desnecessário e faz lembrar, ligeiramente, uma coisa chamada cagufa, entre outras, que aqui não revelamos, por pejo, educação e por terem relação com a falta de evolução da espécie. Pedirem-nos que aconselhe livros é como pedirem-nos que aconselhe o Pingo Doce ou o Continente. Nesta última situação, o importante é que se vá às compras e não se deixe morrer à fome. Acresce que, se é para ficar desiludido com uma leitura, basta escolher à sorte. Não é preciso ficar com medo de não se gostar, que um conselho não elimina a hipótese de desilusão. Infelizmente, o que mais há por aí é papel e tinta incapazes de surpreender a simples alma de uma minhoca.  Felizmente, também não falta produto de qualidade. De qualquer forma, que se faça o aviso de que a possibilidade de ler o primeiro parágrafo da primeira página e tornar a colocar o livro na estante ainda existe. Nenhuma livraria cobra ao parágrafo nem à página... pelo menos, para já! É melhor não dar ideias...

   Então, pedir ou dar conselhos de leitura, por exemplo, num blogue, é como estar em Times Square e perguntar para que lado fica Nova Iorque. Ou é gozar de troça ou é o cúmulo da desorientação.

   Para quando a criação de uma dessas apps que fazem seleção automática, através dos desejos e preferências dos utilizadores? Uma verdadeira trending machine aplicada aos livros! Como uma daquelas que permitem escolher restaurantes ou clubes de swing! Estilo: restaurantes na zona sul de lisboa; restaurantes com preços reduzidos; restaurantes que servem peixe grelhado; restaurantes que servem vinhos brancos com os funcionários completamente nus...swing club que aceita MBWay; swing club que fornece caldo verde take-away; swing club para católicos descontentes; swing club para clientes com cabelos louros e pelos no rabo; casa swing a norte do Douro que aceita reservas para casais com p*las e m*mas pequenas,  clube tinder-swing para deputados liberais da Assembleia, das 11h às 4 da madrugada... E a redução acontece!

   Livrarias que servem M.R.P. e R.M.'A.; livrarias com romances cor de rosa; livrarias só com autores estrangeiros; livrarias de vanity publishing; livrarias com Tony Carreira e que abordam a temática do plágio; livrarias gigantes que promovem o esconde-esconde e esmagam carochas; livrarias de receitas de culinária de famosos; livrarias de receitas de culinária de mais-ou-menos-famosos; livrarias de receitas de autores que não sabem estrelar um ovo; livrarias de auto-ajuda, combate à depressão, defesa contra o suicídio; livrarias sobre gurus que desvendam como fazer fortunas ou perder 80 quilos em dois dias... e sem deixar de comer porco-preto. E a redução acontece!

Pap...

Contributo da Selfie para a Evolução da Humanidade...

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     Um importantíssimo estudo baseado no empirismo veio concluir que as selfishes são mais perigosas do que os ataques de tubarões e a Covid-19 juntos, mais mortíferas do que as escorregadelas nas falésias e mais traiçoeiras do que as vagas de inverno à beira-mar. A única explicação que nos sobra para tal efeito trágico só poderá estar na carqueira tóxica e enjoativa que tende a acumular-se, cada vez mais, no interior e à volta de imensos umbigos.

 

Pap...papagaio