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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

A Sociedade (Muito Pouco) Prática da Tecnologia e da Informação

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    Jogadores famosos de futebol e bonecas - fantoche de silicone encenam diálogos frente a frente, sentados no sofá da sala de uma moderníssima moradia, troçando com aqueles que ainda acreditam que as televisões ainda têm (e funcionam por) canais; seguem o seu discurso sobre inteligência artificial e avanços da eletrónica de comunicações, elogiando as (novíssimas) caixas negras e sábias, que controlam os eletrodomésticos lá de casa por telepatia transistorizada e que adivinham artificialmente os nossos desejos básicos, os desejos dos humanos!

      Na nossa modesta opinião, estamos em crer que os paleolíticos viviam com mais qualidade de vida do que nós. E "nós" incluindo o gajo que se autodenomina como CR7! Isso mesmo! E não nos estamos a reportar meramente ao ar puro e aos alimentos obrigatoriamente biológicos da muito pretérita altura! Os paleolíticos e respetivos anexos da História é que a aproveitavam toda!, não obstante esta vendilhice publicitária, repleta de mimos desmedidos e desbragados ao progresso atual da tecnologia. Ter conforto não significa  necessariamente ser mais inteligente e a civilização avançada em que supostamente nos inserimos não implica um quotidiano mais prático. Tretas e mais tretas!

    Práticos eram os da Idade da Pedra e seus vizinhos! Levantavam-se com o primeiro raiar do Sol, vestiam a pele de carneiro pela cabeça abaixo - ou nem vestiam nada, sequer! - e seguiam para o emprego de moca na mão. Não apanhavam trânsito, não ficavam retidos em filas, não buzinavam (embora também dissessem palavrões!), não traziam agarrados aos pescoços, presos por fitas, molhos de treze chaves para abrir outras tantas portas, trinta e oito cartões de plástico para decorar com códigos, para aceder a descontos, para enfiar em ranhuras de máquinas, contas, faturas, autorizações, certidões, derramas, taxas, impostos, papel higiénico, recadinhos, obrigações...

    Não perdiam tempo a pintar os lábios nem se atrasavam a polvilhar as trombas com cremes e bases! Não tomavam comprimidos para a depressão nem tinham o lavatório da casa de banho atulhado com frascos repletos de substâncias líquidas de efeito duvidoso. Apanhavam a fruta das árvores, à mão, e o cantar do galo nunca se atrasava. A Função Pública, o Estado e as PPP's ainda não tinham nascido para emperrar! 

   Não há memória de um Neanderthal se ter alguma vez esquecido de uma password; de um Pitecantropo ter sido processado por difamação ou de um Homo Habilis ter levado uma multa de estacionamento. Jamais alguém viu um destes antepassados a correr, aflito, com uma resma de papéis a abarrotar duma pasta na mão, com os filhos a reboque pela outra, aos gritos e a olhar para o relógio. Ou no metro, agarrados ao smartphone, a teclar freneticamente mensagens. Práticos eram eles, que não se importunavam com a passagem de receitas, porque não havia curas nem doenças conhecidas, sendo os médicos completamente desnecessários. 

   Querido Ronaldo, pergunta lá à tua amiga "Sofia", se estará para breve uma máquina que resolva o problema pouco prático do sistema de saúde. Essa é que era inteligente e digna de uma sociedade prática!

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