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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

E Quando um Desconhecido te Oferecer um Ismo, isso é Embuste!

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    Uma questão séria e pertinente da nossa cultura, passa por saber a razão do por que raio é que as panelas lusitanas da sopa continuam a exibir tanto litro de caldo verde e, ao mesmo tempo, levam tão poucas rodelas de chouriço? Talvez por isso mesmo é que, infelizmente, se lhe é chamado de "Caldo Verde com Pedacinhos de Chouriço" e não "Chouriço com Pedacinhos de Caldo Verde" - designação mais agradável, quanto a nós. Sabendo todos que o apreciador da cozinha portuguesa adora agraciar-se com uma barriguinha quase sempre cheia de conteúdo de qualidade, estranhamos que continue a devorar o prato e não sinta a necessidade, ao mesmo tempo, de mudar o nome e o modus da receita. 

    Talvez o imbróglio da desatenção sobre aquilo que é absolutamente fundamental,- como a rodela de chouriço, a problemática do caldo verde, o panachê fresquinho ou a próxima reunião motard no Algarve,-  aconteça porque se vai perdendo muito tempo com aquilo que é relativamente acessório: como as segundas à noite, que são consumidas a assistir ao negacionismo da osculação nas beiças dos avozinhos, - isto na RTP-, como as terças à tarde, que são largadas repetidamente, em viagem, a ouvir "o único álbum" da M80, como as quartas ao almoço, que são desperdiçadas a engolir (em resumo) a sessão gravada de discussão do OE para 2018, no Canal Parlamento; ou também nas quintas, a assistir à lamentação sobre as maldades que são executadas aos professores, polícias, enfermeiros e outros colaboradores públicos do "Portugal", ou como as sextas ao entardecer, altura em que se reflete sobre a maneira como se vai dar uma porrada na mulher, durante o fim de semana, sobretudo se forem homens a pensar no dito e a chegar a casa.

   Por falar em coças ao domicílio, um outro assunto paralelo e menoríssimo, e que distrai as atenções do fulcral, é a eterna discussão, aos sábados e domingos, na comunicação eletrónica do nosso país, sobre se o Feminismo será mesmo uma espécie de Machismo encapotado sob o manto disfarçante do incorreto vanguardismo ideológico, ou se será, isso sim, uma forma espertalhona, utilizada pelas vozes das elites intelectuais femininas, para tentar convencer e levar na conversa as sofridas mulheres das classes abaixo,- e que ganham efetivamente menos que os homens pelo seu trabalho árduo,- no sentido de apoiarem as ganâncias e as ambições de estrelato e poder das primeiras. Haverá que perguntar se será mesmo preciso ser #feminista para se defender o corpo e a alma das mulheres... 

    Entretanto, (como é diabólica a santa Hipocrisia!) no meio de tanta distração acéfala e barulhenta, no cumprimento formal e politicamente correto do chique polimento da imagem e do papel social da mulher, já o topo fofinho da galante pirâmide feminista - entretanto confortavelmente sentado nos seus gulosos assentos - se foi, embalado nos seus confortos e cargos, esquecendo-se das  suas sagradas causas ideológicas: a defesa das mulheres que trabalham mais e que recebem menos, das que dão tudo e quase nada recebem, das humilhadas, das violentadas, das desrespeitadas, das ignoradas, bem como daquelas que continuam a ser vítimas do terrível açoite doméstico, à hora menor do "pegar" no fogão, para fazer o compulsivo Caldo Verde (com poucas rodelas de chouriço).

Papagaio papagaio

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