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Giló - O Papagaio Indiscreto

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Edição de Autor ou Vanity Publishing? Eis a questão!

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   Para que não restem dúvidas, a resposta fica já aqui dada: claramente, as edições de autor colhem a nossa completa preferência, ainda que, na generalidade, não tenham um belo de um carimbo ao fundo da capa! A Vanity Publishing  é uma perda de tempo e de recursos, sem que daí se tragam reais benefícios para quem escreve. Já as editoras Vanity, ela próprias, em si, obviamente que não se queixam! Na verdade, as editoras que exigem aos autores que sejam os próprios a pagar as suas edições não têm capacidade significativa de penetração no mercado. Doa a quem doer, os grandes grupos editoriais ( não vamos aqui dizer nomes, mas muitos conhecem!) abocanham para si todas as prateleiras das livrarias, raramente deixando que sobrem mais do que migalhas.

   Assim, o autor paga a uma vanity para ser editado, dá lucro à editora e livra-a de ter de se esforçar para conseguir vendas de exemplares.Em Portugal, optar por edições pagas é passar um cheque em branco ( por vezes, mais de 3000 euros!) sem qualquer garantia de retorno! É meio caminho andado para a desilusão. Ainda assim, muita gente que escreve, continua a insistir que poderá ser um escritor só porque paga a uma Vanity! Infeliz ilusão!

   Só o défice de informação e um superavit  ao nível dos preconceitos é que nos faz julgar que uma edição de autor é uma opção menor.  Tomando o exempo da América do Norte, vemos que inúmeros escritores conhecidos do grande público - muitos deles nomes consagrados ao longo do tempo, optam, sem qualquer tipo de preconceito, pela edição de autor, atingindo o seu público, escoando as suas tiragens e retirando, daí, dividendos económicos com significado; enveredar poela edição de autor é, nestes casos,viável e uma atitude acarinhada no meio literário, do ponto de vista do livro e da edição, considerado mesmo como um ato de inteligência. Isto, tanto por parte dos  autores como pelo público leitor, que não deixa de comprar os seus livros preferidos só porque uma edição não leva o carimbo e uma chancela. Uma edição de autor pode ser, por isso, sinónimo de qualidade e forma de afirmação própria. Em Portugal, é sinal de inferioridade e rebaixamento! Errado!

   Os leitores norte-americanos, o leitor do norte da Europa e da Europa Central, estão- - se significativamente nas tintas para a chancela, porque sabem que a esta, por si só, não é garantia absoluta de qualidade. Têm os seus gostos bem definidos, sabem o que querem ler e procuram os autores que lhes costumam satisfazer a curiosidade, preencher o gosto e que lhes garantam momentos de entretenimento. Ter chancela é bom, mas ter um AUTOR  é ainda melhor!

   Para além disto, uma edição de autor abre caminho a que se conservem intactos os seus direitos e inviolável a possibilidade de se tomarem, em exclusivo pelo dono da obra, as decisões que bem se entenderem, quanto às incidências artísticas inerentes à produção estética da publicação. O mercado editorial norte americano é vivo, dinâmico, permitindo aos escritores, que assim o entendam, prescindir dos serviços de uma editora, sem que seja posta em causa a comercialização de uma obra literária.

   Em Portugal, o conceito e a mentalidade situa-se nos antípodas de tudo isto: quem escreve, acha que só será lido se tiver atrás de si uma grande editora, o que nem sempre corresponde à verdade. Assinar contrato com certas editoras obriga a prescindir dos direitos de autor quase por completo e não é garantia, nem mesmo assim, de que a promoção seja bem feita ou de que o autor tenha algum sucesso.

     Um inquérito feito há já alguns anos atrás, por uma entidade independente, revelava que a maior parte dos autores, em Portugal, se encontravam insatisfeitos com o apoio dado pelas editoras com quem tinham contrato. Muitos responderam que, se o pudessem, rescindiriam o contrato que tinham e procurariam outra editora, ou não procurariam editora alguma, fazendo tudo de novo, a custas próprias. Sem rodeios nem papas na língua:o trabalho feito por muitas editoras, no nosso país,  para além de paupérrimo, é desonesto ( muita gente gostaria de colocar a boca no trombone, em meu favor, neste momento, contando a sua experiência, no que a este particular diz respeito) - e por razões que não vamos alongar aqui, mas que poderão ser abordadas num outro momento.

    Por outro lado,  no nosso país, as grandes editoras recusam-se sistematicamente a publicar autores desconhecidos, escondendo-se sistematicamente na desculpa da incerteza quanto às vendas. As que aceitam novos escritores exigem edições pagas por parte destes (vanity publishing), atirando com o risco financeiro para cima do autor. Como se não bastasse, editoras há que, para além de obterem os seus lucros com os cheques assinados pelos escritores, ainda se dão ao desplante de exigir que o autor prescinda por completo dos seus direitos, atitude absolutamente lamentável e revoltante. Nem todas fazem assim, é verdade!

    Também há editoras que se fazem reger por critérios de seriedade e qualidade. Mas estas são cada vez em menor número. Mesmo as editoras que se dizem "tradicionais", optam por enveredar pela Vanity Publishing. Criam chancelas paralelas, direcionam os autores para edições pagas e continuam a recusar que a Vanity seja um modelo de edição com o qual concordem! A verdade é que, em Portugal, em breve, todas as editoras acabarão por aderir às edições pagas pelo autor, mesmo os grandes grupos editoriais, que dizem ser avessos a esse modelo, mas ao qual já vão piscando o olho!

     Para complementar este cenário, o leitor, em Portugal, para além de ser uma espécie rara, só aceita gastar o seu dinheiro adquirindo textos que sejam de autores estrangeiros, de preferência de autores estrangeiros que estejam a ser lidos pela vizinha do lado ( a galinha da vizinha... tenho que ter uma igual à dela!). Os escritores nacionais são considerados de segunda categoria, só porque são portugueses  - tirando a exceção de um punhado de nomes que costumam andar na moda!

Papagaio

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