Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Giló - O Papagaio Indiscreto

#Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog #

Estátuas, Nacionalidade, a Escola que não nos formou e a falta de direito ao Contraditório.

contraditório e racismo.jpg

   O Sapo dá pódio, nos Destaques desta 2.ªfeira, a um largo posto, de linha pseudomonográfica, que se dedica a alinhavar, este último, quase nada sobre nacionalidade e racismo.

     Não estamos aqui pelo posto em si. Tal coisa seria uma mais que provável perda de tempo, não só pelo bafio académico gerado pelo discurso, provocador de tédio e de bocejo, mas também pela algo comichosa verborreia lexical, que torna o texto numa espécie de esparguete sintático e ideológico, campo de insinuação pedante sobre a interpretação e o entendimento do leitor. Além de tudo isto, bem retorcida, a laranja opinativa da designada "peça" termina em muito pouco líquido que se veja ou que se prove, resumindo-se o enunciado a um exercício meio afetado e tendencioso -aquilo bem que podia ter-se resumido a meia dúzia de linhas!- sobre a suposta nova diversão social de grafitar e deitar estátuas e monumentos ao chão, juntamente com a necessidade de remaquilhar tanto a pedagogia nas aulas de História de Portugal, como dramatizar a urgência de retoques didáticos e ideológicos em Camões e n'Os Lusíadas, nas aulas de Português e Literatura. 

    A linguagem é bonita, diga-se, o palavreado rebuscado confere a beleza almejada. Fica imensamente bem citar outros autores e o chorrilho universitário sobre cultura e identidade nacional dá um ar importante e intelectual, permitindo criar um protótipo de tese meio barroca, dando a sensação sobre a necessidade extrema e inadiável de adotar novos "ângulos" e " perspetivas" de postura coletiva, sob pena de nos eternizarmos (todo o país) como racistas e fascistas crónicos.  Uma energia de alarme, mas um aviso positivo, tudo isto à volta do mesmo discurso; não obstante, como já aqui foi dito, não nos detenhamos tanto na substância (nem no formato,já agora!) do texto. Não só pelas razões, -para nós, claras!-  apontadas atrás, mas também pelo atestado de absoluta incompetência  que é projetado à nossa inteligência. O enunciado não é mais que uma tentativa de procurar colar as recentes manifestações ativistas (leia-se: o vandalismo sobre o património, a mistura na turba de delinquentes e aproveitadores com intenções obscuras de agressão e pilhagem,  os assaltos bárbaros a lojas, as montras do pequeno comércio e dos centros comerciais estilhaçadas, a pancadaria selvagem, viaturas a arder e os apedrejamentos indiscriminados) à ideia de que são exemplo de, essas mesmas manifestações, e passa-se a citar: "cabal reivindicação global de combate ao racismo".

   Por estas e por outras, não nos dedicamos longamente ao "texto". Em si, não nos merece assim tanto destaque. Quem o destacou, unilateralmente, foi o Sapo. Paramos, assim, por aqui.

   Dedicamo-nos, isso sim, a outras observações, que descobrem coisas aparentemente pequenas mas não pouco curiosas: por exemplo, a existência do tanto estranho como muito conveniente convite, no referido posto, à inserção do "like" ou do "favorito" da praxe, (des)associado à inexistente possibilidade de recurso ao comentário e à opinião sobre o mesmo, o que inviabiliza o direito ao contraditório que tanta gente, por aí fora (e dentro!) apelida de imperativo, democrático e saudável. Na verdade, existe carta branca para "gostar" e "alinhar"com o dito posto, mas é impossível a expressão de juízo sobre o que se lê, o exercício discordante ou a simples contraposição.

    Ou seja, um posto que combina o apelo à igualdade e à "descolonização" do pensamento, à mistura com uma pitada de imperialismozinho saloio da palavra e ditadurazinha (disfarçada de liberalismo) verbal de trazer por casa (trazer pelo blogue, se quiserem!).

A equipa do bloguepapagaio