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Giló - O Papagaio Indiscreto

#Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog #

A Covid-19 e o Homem do Saco

coronavírus.jpgQuem (ainda) tem medo da Covid?

   Alguém informava que tem notado as pessoas a ficarem mais impacientes perante esta história de COVID-19. Que se notam as ruas com mais pessoas, mais trânsito e que, nas grandes cidades, estão a voltar, até, os famosos estacionamentos em segunda fila, coisa que já não se via há algumas semanas. Francamente, a sensação é que este estado de coisas não se verifica, apenas, nas grandes cidades. Ontem, "estranhamente", o local onde vivemos apresentava ruas muito "normais", mais "normais" do que tem sido costume, ultimamente. O  fluxo de tráfego era sinal forte disso mesmo.

   Na verdade, tal poderá ser uma prova cada vez maior da real preocupação das pessoas, ao célebre estilo: " faz aquilo que eu digo, não faças aquilo que eu faço!". O alarme fomentado de forma abusiva por muitos atores, que têm interesse concreto em instalar receios e dúvidas, pode vir a revelar-se numa espécie de "cuspidela para o ar", com danos não totalmente previstos.

   A dada altura, por saturação causada pela pressão excessiva e monocórdica,  que tem vindo a ser exercida por interesses colocados e instalados, as pessoas fartar-se-ão de viverem preocupadas e habituar-se-ão ao "papão", começando seriamente a não lhe ligar. É o que parece estar a iniciar-se. Daí, o comprovativo daquilo que temos afirmado desde há algum tempo para cá: o papel dos meios de comunicação deve ser mesmo, só, informar. Não é criar alaridos, promover floreados, dramatizar, embriagar as almas com melodias românticas, como se a vida das pessoas fosse uma espécie de teatro. A comunicação social - preocupada exclusivamente com as audiências e com a concretização de receitas -, age como os vendedores de frascos de álcool e os oportunistas que inflacionam vinte e sete vezes a distribuição de material médico. Para além de oportunistas, as redes de comunicação não têm conseguido despir, ao contrário do que seria de esperar, nesta fase excecional, e ao contrário daquilo que a sociedade verdadeiramente necessita, o seu fato vulgar de feirante. E estão, as mesmas, entre as grandes responsáveis pelo clima que se tem vivido, pelos contornos específicos que os acontecimentos têm apresentado. Sérias dúvidas sobre se as plataformas digitais e os vários grupos de comunicação, que se acotovelam frenetica e mutuamente, não têm desempenhado um papel efetivamente mais ativo na promoção do folhetim e do panfleto do que no esclarecimento cabal das consciências e na  estrita clarificação  do caso epidémico, junto das pessoas.
    Da boca para fora, estamos todos " muitíssimo preocupados" e ficamos chocados com a negatividade vendida às toneladas, noite e dia, sobre o vírus, tumba negra que nos é oferecida nos telejornais e outros. No concreto, cada vez mais o povinho perde o "medo" injetado agressivamente e em doses industriais, 24 sobre 24, e começa a conviver com meia-indiferença perante a publicidade dos vendilhões comunicativos (plataformas das redes sociais, jornais, canais de televisão e rádios) - é para aí que gradualmente caminhamos.
   Deixemo-nos de tretas e sejamos reais e assertivos: a continuar este cenário, em breve teremos o país exausto e decidido em arriscar mais numa SARS do que num esgotamento coletivo. Aí, a "comunicação" alterará o tom e as agulhas e apontará todas as suas baterias em direção aos comportamentos menos corretos das massas. É uma previsão plausível - quando um assunto se esgota, rapidamente será preciso montar outro. Haja sangue sempre a correr...venha ele donde vier...
   É absolutamente impossível as pessoas manterem-se fiéis e aguentarem por muito mais tempo neste comportamento depressivo e estático, congeladas por um discurso que se alonga e insiste, ao jeito de novela. A barragem pode rebentar, mais cedo do que mais tarde...

P.papagaio