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Giló - O Papagaio Indiscreto

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O Gesto na Comunicação...(da Treta)

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    A gestualidade de bons e maus comunicadores é muitas vezes desprezada - mais do que devia -  em situações de interação, seja em público, seja em privado. Mas para quem percebe realmente de comunicação e interação, compreende que a importância dos gestos é quase tão essencial como a substância do discurso verbal em si, nomeadamente do discurso oral, revelando muito não só sobre o estado de espírito da própria pessoa, como também no que diz respeito à perceção e capacidade de aquisição da linguagem, aliada à influência que exercemos sobre os outros. A análise dos gestos é fundamental para extrair informação adicional e compreender a realidade do que está a ser dito e sentido, permitindo ir mais além, na compreensão efetiva dos enunciados e na dimensão correta das intenções e motivações de quem comunica.

    Tudo isto parece muito bonito e altivo de se dizer, mas resume-se a coisas tão simples como explicar que, apenas em forma de exemplo, se um treinador ou jogador de futebol estiverem a dar uma conferência de imprensa, repetindo as frequentes redundâncias e banalidades do costume, esse discurso oco é constatável não só no disco riscado propalado e imensamente conhecido, que faz toda a gente bocejar de tédio, como também no pouco à vontade demonstrado e repetido em gestos insistentemente maquinais e desprovidos de sentido, como tocar no lóbulo da orelha, coçar as sobrancelhas,  pentear  desesperadamente as pestanas e os cantos dos olhos, - não esteja lá alguma areia, alguma pestana solta ou remela colada (sem que nesses locais da anatomia poise coisa alguma!).

   Outro gesto revelador da tal "conversa fiada, do enchimento de chouriço para espectador ver e ouvir e do paleio politicamente correto " é o levar o dedo ao nariz, esfregando-o lateralmente ou na ponta, como se se tratasse da lâmpada do Aladino. Tudo isto costuma ser feito, a maior parte das vezes,  e como já referido, com o subtil dedinho indicador, o que desvendará chocantemente, que parte da alma de muitas pessoas que sofrem de falta de imaginação e que gostam de se socorrer de bazófias, se encontrará alojada na sua (delas) ponta dos dedos, nomeadamente entre a interseção da unha e o sabugo da polpa digitalícia.

    A ciência já provou que os bons oradores apresentam maior frequência de gestos ilustradores, para fora e para longe de si e do seu centro, gestos que acompanham a fala ampliando a dimensão do próprio corpo, alargando psicológica  e subrepticiamente, - perante os olhos do recetor - a área do espaço em que se está, noutras direções, abrindo as mãos com mais ou menos suavidade, apontando com os dedos para locais imaginários, exercendo gestos de dinâmica ativa, de amplitude e pujança,  enquanto maus oradores apresentam maior frequência e uma tendência a maior duração de adaptadores, gestos de autocontato e contato com objetos, que denunciam, potencialmente, egocentrismo, algum nervosismo, ansiedade e mal disfarçada pobreza de discurso.

  Reparemos nalguns gestos (apenas quatro) diários, quase todos eles públicos, peculiares, enfadonhos, estéreis, mesmo irritantes, criadores de stress no recetor, que podem destruir a figura de alguém, perante quem está mais atento ao ato de comunicação:

  •  afastar e aproximar sistematica e exageradamente as mãos, de forma  completamente abusiva e enervante, (paupérrimo!) esticando e abrindo os dedos ao ponto da "artrose", e tocando com as pontas dos mesmos uns nos outros, todos ao mesmo tempo, como se o toque destes acendesse alguma lâmpada as meninas televisivas "cassetes de fita castanha" do "760 200 100", que  andam a publicitar e a oferecer Fiat's Tipo e 5.000 euros em cartão há dez anos seguidos, e que repetem a mesma ladaínha e o mesmo número de telefone, pelos menos trinta e oito vezes por dia, de segunda a domingo = sinal de fastio e pressa, que o(a) namorado(a) delas está a vê-las e à espera. Sinal de salário chorudo que não se pode desprezar; também dificuldade em memorizar, contratualização de pose. Igualmente, manifestação de que só se tirou a 4ª classe / 6º ano incompleto, e se tem dificuldades em ler textos com mais de cinco linhas, para além de se ter um corpo escultural e maminhas rechonchudas - currículo mínimo para um contrato nos canais abertos de televisão.
  • afastar as pernas uma da outra, criando uma espécie de "V" invertido e exagerado, ao mesmo tempo que se bamboleia o rabo para um lado e para o outro, se dobram ligeira e momentaneamente os joelhos e se cospe para o chão, ao mesmo tempo que se vai coçando, pontualmente, com uma das mãos, os tintins: os indivíduos do sexo masculino que costumam ter os testículos imensamente inchados, a explodir para fora das cuecas - com alguma frequência militares, agentes importantes da autoridade, executivos de grandes empresas ou empresários do narcotráfico = quando se encontram a dar entrevistas ou, simplesmente, a conversar "conversas"  significativas, entre pares, para parecerem mais viris e  "mátchós", uns perante os outros. Sinal de que se tem uma ou mais  amantes escondidas ( daí, talvez, os tomates inchados!) ou que se vai dar uma sova na cara metade (infelizmente!) quando se chegar a casa.
  • virar  a cara para a objetiva, um pouco de lado, estilo "olha o passarinho", fazer uma pose como um carapau teso e sobrepor os antebraços (cruzados um no outro), abrindo as mãos com os dedos afastados e apanhando os braços (ou escondendo as mãos debaixo dos mesmos!): os indivíduos do sexo masculino e feminino = sinal de insegurança miudinha, mas que não  se abdica de passar uma imagem de "sou um ser de destaque e imenso sucesso e até tenho uma carreira, embora esteja em vias de ir para o olho da rua". Gesto cada vez mais  brega e fatela, desanconselhado por fotógrafos a sério que se andam a aperceber, aos poucos, desta última circunstância.

 

  • posição sentada numa poltrona a dar uma entrevista, com ar descontraído e altivo, de perna exageradamente cruzada, com dedo polegar debaixo do queixo e dedo indicador à frente da boca, alternando este último dedo com a posição descrita e a posição num dos lados da face, a caminho da orelha (mudando frequentemente de lado): indivíduos diplomados e vestidos com fatos caros, normalmente com cadeiras e exames de licenciatura realizados ao fim de semana, decoradoras chiques de interiores, socialitês, manequins, escritores plagiadores e cantores de música pimba = sinal de reflexão e pensamento profundos, alto nível e poder intelectual; posição social, contas bancárias desassossegadas e compras feitas frequentemente no Lidl e no Minipreço, às escondidas dos vizinhos. Em alguns casos, pode ser sintoma de alguma pobreza de espírito e falta de ir à missa ( seja de que religião for!) para ver se encontram Deus ou alguém desse grupo que os ajude.

N.B. Na próxima aula: Gestualidade Comunicativa II: " A importância do dedo do meio na construção das relações sociais e afetivas".

 

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