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Giló - O Papagaio Indiscreto

Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog Papagaio

O Plágio está na ordem do dia, mas nunca na agenda da Justiça nem na Consciência dos Indivíduos.

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      Estamos cá desconfiados de que o Plágio é mais uma  dessas espécies de "não assunto", uma daquelas gravidezes que redunda em flato, na medida em que muitos se escandalizam e apontam o dedo mas ninguém vê no problema uma questão realmente significativa. É a matriz cultural no nosso país! Roubar propriedade intelectual é de somenos importância, tão de somenos que a indignação se resume a uns postos nos blogues e nas redes sociais, durante uns dias, ou uns artigos espalhados nos tablóides, enquanto a coisa vai fazendo render o peixe, ou seja, enquanto vai despertando a curiosidade do leitor/espectador.

     Há alguns anos,  - isto não é história de Papagaio, é a REALIDADE! -  tivémos a oportunidade de assistir, ao vivo, a um julgamento no Tribunal da Relação do Porto, em que o réu estava indiciado por "palmar"  um isqueiro, num quiosque. O homem roubou, supostamente, um isqueiro e o caso foi parar à Relação! Resumo: em Portugal, mais facilmente arranjamos problemas a sério com a justiça por tentar acender um cigarro, do que por praticar um furto intelectual! Segundo resumo: a usurpação de propriedade de natureza cultural e a apropriação indevida de material artístico alheio, para uso, proveito e benefício próprios, têm menos valor  e geram menos efeitos legais do que um isqueiro de 70 cêntimos!

    Há larga data que correm histórias de autores que roubam a outros autores, no nosso país - uma dessas variadas histórias está ligada a um(a) escritor(a) de renome que tem feito sucesso e carreira com a sua escrita ao longo de vários anos. A dada altura, alguém se deu ao trabalho minucioso e exaustivo de desmontar aquilo que considerava ser uma técnica dissimulada e manhosa de "criação", como também tentar provar uma suposta ação deliberada de, não só, plágio literário, mas também de autoplágio. Na opinião do "investigador" e, de acordo com as provas que tinha aturadamente recolhido, o autor em causa não só praticava plágio, mas também se autoplagiava, ou seja, constantemente recorria a passagens de obras anteriores suas e fazia-as "passar" para os seus novos romances, ipsis verbis, períodos e parágrafos inteiros! 

   Na nossa opinião, se se trata, ou não, de um caso de plágio e, também, de autoplágio, não nos compete fazer uma afirmação cabal do caso, pelo simples facto de não sermos leitores assíduos do(a) autor(a) em causa. Os excertos de leitura que temos feito, pontualmente, das obras em questão, apenas nos evidenciaram que existe muita  literatura de uma outra dimensão e qualidade que merece muito mais o dispêndio do tempo de uma vida - e nós só temos esta, que é a nossa única!

   Não obstante, num blogue mais ou menos conhecido, alguém decidiu empertigar-se - há já algum tempo - contra as acusações de que o (a) tal autor(a) era alvo. Que as afirmações de plágio e de autoplágio eram infundadas e fruto de indigestão pessoal. Defendia o "ufano" opinador que a literatura prevê que um autor possa legitimamente revisitar a sua obra, podendo chamar-se a isto de "reutilização", "intertextualidade" e "alusão literária". Passo a citar textualmente: "A teoria da literatura codificou esta realidade em termos como alusão literária, intertextualidade ou reutilização..."

   É aqui que, especialmente, nos importa meter o nosso "bedelho". Caro Sr. opinador empertigado: quem confunde tudo e nos tenta confundir a nós é vossa excelência. Meter-se com a Teoria da Literatura é aceitar um passageiro demasiado pesado para uma lambreta! É um conselho sensato que lhe dou! Trate a Teoria da Literatura com algum carinho!

    A "reutilização" é um conceito que, formalmente, nem sequer é proposto pela Teoria da Literatura. Se este termo surgir, então, no máximo, o que podemos imaginar é que a dita "Literatura" deverá estar a abordar algum texto sobre o plasticão, o vidrão ou as energias renováveis; como conceito literário fundamental, "reutilização" não existe!

    Quanto  à "alusão literária", só poderá ser alguma piada difícil de perceber: chamar "alusão literária" à cópia exata de parágrafos e passagens inteiras... alusão é uma coisa... tirar fotocópias é outra!

     No que diz respeito à "intertextualidade", o que o Sr. está a dizer é que usar um copo plástico, descartável, sujo, sempre com a mesma bebida, vezes sem conta, uma a seguir à outra (o copo vai ficando cada vez mais amarrotado e imundo) é a mesma coisa que utilizar outros copos que por ali andam,  ou utilizar o mesmo como forma de recurso ou mero apoio, mas lavá-lo, colocá-lo no escorredor e voltar a usá-lo posteriormente, quando está seco, com outras bebidas ou misturas, semelhantes ou diferentes das anteriores. Ou que, estando vossa excelência constantemente em monólogo consigo próprio, que isso é o mesmo que partilhar experiências e discutir opiniões e pontos de vista com outras pessoas!

   Já para não falar direta e claramente que, num caso de suposto autoplágio, não há qualquer tipo de "intertextualidade" ou algo que o valha! "Intertextualidade" com o próprio texto, sistematicamente consigo próprio, é uma "intertextualidade" muito esquisita, estranha, ou seja, cai no autoplágio, nada mais!  É olhar para o mesmo umbigo dezenas de vezes, fazer-lhe cócegas dezenas de vezes e julgar que se tem uma visão e uma experiência mais enriquecida por ter olhado e feito cócegas várias vezes sobre o mesmo objeto!

    Voltando, brevemente, à qualidade da escrita do (a) autor(a) visado(a), só mais uma coisa: cada um escolhe livremente o que quer - uns escolhem caviar, outros escolhem sardinha em lata, dizendo ao estômago que é caviar! É do arbítrio de cada um!  Cada qual com as suas escolhas. Nada mais!

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