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Giló - O Papagaio Indiscreto

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Os estranhos dias e o não-jornalismo

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   Na emissão de sábado, dia 21 de janeiro, do "Jornal da Noite", da SIC, foi para o ar uma reportagem com imagens de um motim no Reino Unido, que aconteceu há largos anos. A peça foi apresentada como sendo um reflexo das circunstâncias assustadoras que se estariam a gerar em Londres, - com intervenção policial - nos últimos dias, devido ao encerramento de estabelecimentos como forma de travar a propagação da famosa pandemia.

    A SIC diz que "errou", tentando colocar água na fervura, e colocou o seu pivô a desculpar-se, dando a ideia que tudo seria uma espécie de engano. Não foi um engano e alguém neste órgão de comunicação social, com responsabilidades perante o público, - responsabilidades que deviam ser absolutamente imperativas, sobretudo nestes dias esquisitos que atravessamos, - deveria de dar as devidas explicações, esclarecendo a verdade e as intenções  - isto, sim, seria o verdadeiro jornalismo e a exata  e escrupulosa tarefa de informação.

   O que a SIC fez não foi errar. O único erro inadvertido que ali houve, terá sido a falta de exato julgamento sobre se, neste canal televisivo, todos se identificariam com o comportamento aqui em causa. A partir daqui, parece acabar o erro e começar uma aura forte de suposta premeditação. Ao sinal de crítica e polémica vindas de fora, porque sempre se repara na falácia, alguém se sentiu na necessidade urgente de tentar corrigir o que não tem correção, procurando salvar o dia.

   Facilmente parece transparecer a intenção ignóbil de ir ao coração do povo, de lhe injetar uma espécie de cafeína enervante, virar holofotes e atenções, acicatar os espíritos para um determinado lado, agitando os dedos cada vez mais enervados para um dado ponto do comando da televisão; tentando com que se retirem dividendos mediáticos, provocando comoção e alarme nas pessoas; e tudo isso é completamente inadmissível. As pessoas já estão suficientemente assustadas e o país já se encontra largamente "de joelhos"; uma "ajuda" destas, neste preciso momento, é revoltante.

   Peças destas não são colocadas no ar por equívoco ou falta de atenção. A "colagem" das imagens ao texto e a consequente divulgação pública, através da antena de difusão, não acontece por engano. Alguém minimamente esclarecido não acredita neste tipo de "enganos". As peças são trabalhadas e organizadas, orientadas por jornalistas numa redação, verificadas e colocadas no ar com a autorização superior de outro alguém; tudo absolutamente controlado e pensado - e já para nem falar no trabalho obrigatório de montagem! Dizer que foi um simples "erro" é tentar atirar areia para os olhos das pessoas, tal como se tentássemos acreditar que uma nave espacial fosse parar, de repente, à lua, porque alguém na NASA, passando desatentamente pelo painel,  pousasse o copo de papel do café em cima do fatídico botão vermelho.

   Quando um trabalho noticioso chega aos nossos ecrãs, leva o varrimento de inúmeras mãos. O que a SIC quer fazer é fugir aos pingos de chuva, inventado desculpas esfarrapadas, dizendo que se tratou de um erro e esperando que o acontecimento passe o mais despercebido possível. Tomar o espetador como ingénuo, fazendo-o acreditar que terá havido uma espécie de "troca de fitas que estavam em cima da bancada", à moda de Hollywood, não colhe no entendimento de toda a gente. No entendimento de uns, sim, talvez. No entendimento de outros, nem pensar! As coisas simplesmente não acontecem dessa maneira. E uma desculpa bem educada, para inglês ver, está muito longe de ser um ato completo de dignidade e rigor.

    Para nós, isto adquire contornos vergonhosos, o que coloca gravemente em causa a seriedade deste órgão de comunicação; a atitude teve alguém na sua origem e os responsáveis por este ato deveriam ser imediatamente identificados e expostos, apurando-se a culpa e as necessárias consequências.

    O cidadão continua a ser cada vez mais mal servido por uma comunicação social - uma parte significativa dela - irritante e menorizada, que perdeu o tino quase por completo, que abandonou significativamente a alta missão que durante muito tempo teve - informar no estrito objetivo de servir a comunidade, porque  a necessidade de lucros se agigantou, como um vírus.O público é, de fininho, tomado por parvo, a reboque das lutas entre grupos de comunicação e da obsessão pelas audiências; e este é mais um péssimo exemplo de não- jornalismo. Uma baixaria!

Pap...papagaio

 

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