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Giló - O Papagaio Indiscreto

#Aqui no Papagaio e no Sapo Blogs outra vez? Pá! Vão à praia, façam amor com a(o) namorada(o)... evitem é perder o vosso precioso tempo neste botequim! Podiam, pelo menos, ter o bom gosto de escolher outro blog #

Reedição: Entornar o caldo.

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    Uma questão séria e pertinente da nossa cultura, passa por saber a razão do: por que raio é que as panelas portuguesas da sopa continuam a exibir tanto litro de caldo verde e, ao mesmo tempo, levam tão poucas rodelas de chouriço? Talvez por isto mesmo é que, infelizmente, se lhe é chamado de "Caldo Verde com Pedacinhos de Chouriço" e não "Chouriço com Pedacinhos de Caldo Verde" - designação que seria mais agradável, quanto a nós. Sabendo todos que o verdadeiro apreciador da cozinha portuguesa adora mimar-se com uma barriguinha bem cheia e com produtos tradicionais de qualidade, estranhamos que continue a devorar o prato e não sinta a necessidade, ao mesmo tempo, de lhe mudar o nome e exigir mais enchidos. 

   Assim, aquilo que é absolutamente fundamental, no nosso entender, - como a rodela de chouriço, a problemática do caldo verde, o fino fresquinho ou a próxima reunião motard no Algarve,- perde a nossa atenção porque se vai investindo muito tempo com pintelhices acessórias, por exemplo: as segundas à noite são consumidas a assistir à discussão do negacionismo da osculação nas beiças dos avozinhos, - isto na RTP; as terças à tarde são utilizadas repetidamente em viagem, a ouvir "o único álbum" que a M80 tem no espólio; as quartas, ao almoço, são desperdiçadas a engolir (em resumo) a sessão gravada de discussão estéril do OE para 2020, no Canal Parlamento; às quintas é a lamentação sobre as maldades que são executadas aos professores, polícias, enfermeiros e outros colaboradores públicos (atenção que os enfermeiros, atualmente, estão muito positivamente na berra e isto irá durar, pelo menos, até acabar a GRIPE do 19, altura em que tornarão a levar no focinho, à entrada das urgêncas!); as sextas ao entardecer, momento em que se reflete sobre a maneira como se vai dar uma porrada na mulher, durante o fim de semana.

   Por falar em coças ao domicílio, um outro assunto paralelo e menoríssimo, e que distrai as atenções do fulcral, é a eterna discussão, aos sábados e domingos, na comunicação eletrónica do nosso país, sobre se o Feminismo será mesmo uma espécie de Machismo encapotado sob o véu do vanguardismo ideológico, ou se será uma forma maniqueísta das elites intelectuais femininas convencerem as outras - as verdadeiramente sofridas das classes abaixo, - no sentido de apoiarem as ganâncias e as ambições de poder das primeiras. Haverá que perguntar se será mesmo preciso ser uma #feminista destas de hoje para se defender o corpo e a alma das mulheres... Como é diabólica a santa da politicamente correta hipocrisia! No meio de tanta distração barulhenta, ao fim do dia, já lá se vai o fofinho, galante  e preocupadíssimo discurso feminista - entretanto confortavelmente sentado nos seus assentos deixa-se adormecer, embalado nos seus devaneios e almofadas, esquecendo-se das  suas "sagradas" causas ideológicas -?????: a defesa das mulheres que trabalham mais e que recebem menos, das agrilhoadas, das violentadas, das desrespeitadas, das ignoradas, bem como daquelas que continuam a ser vítimas do terrível açoite doméstico, com filhos pequenos ao colo, à hora menor do "pegar" no fogão, para fazer o compulsivo Caldo Verde (com poucas rodelas de chouriço).

Papagaio papagaio

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