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Giló - O Papagaio Indiscreto

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Retalhos da Vida de Eduardo Lopo

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   Como se apresenta a vida aos olhos de quem a vive e de quem com ela se cruza? Como são organizados os acontecimentos ao longo desse período de tempo de um único ser? São estas as questões que Júlio F. R. Costa, na sua primeira obra “Retalhos da vida de Eduardo Lopo”, questiona ao explorar a vida da personagem principal que intitula a obra.

   A simplicidade do livro – e da vida da personagem principal – torna-o tão real que o leitor poderá questionar, no final da história, se não seria possível ser a vida de uma outra pessoa, com outro nome, com origem noutra aldeia ou cidade, até mesmo num país diferente. Contudo, e ao mesmo tempo, as memórias são de tal forma pessoais que a forma como alguém as olha – o ator principal das mesmas -, as torna únicas. Até porque, como Júlio F.R. Costa explora no seu primeiro livro, os retalhos que compõem a memória, e que por sua vez constituem a vida, por vezes carecem de factualidade e são repletos de muita imaginação e fantasia.

   Aconteceu mesmo? Terá Eduardo Lopo realmente vivido as passagens da sua vida que este autor nos conta através de uma escrita e de uma narrativa que prende o leitor do início ao fim? Na verdade, a história ficcionada é de tal forma real que se cruza com a vida de Júlio F. R. Costa, também ele estudante de filosofia e amante da arte e do cinema. Provavelmente o leitor irá identificar-se com algum momento, pensamento ou vontade, como se algum dos retalhos de Eduardo Lopo fossem também seus, mas noutra posição do conjunto da memória. Ou noutra posição da história, no livro, porque a biografia teria o seu nome, o nome do leitor.

Texto de: Ana Rita Lima